Reprodução/Facebook
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Operador da Máfia do ISS ostenta bens na web

Luís Alexandre Magalhães aparece em lancha e moto; ele responde por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e concussão

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2015 | 03h00

Enquanto responde em liberdade por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e concussão (corrupção praticada por servidor público), o ex-auditor fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, apontado como o operador da Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS), continua levando uma vida de ostentação, cercado de motos importadas, passeios de lanchas e jantares. Pelo menos é o que ele compartilha em seu perfil no Facebook.

Em uma das fotos, a principal de sua página na rede social, Magalhães aparece de sunga, com charuto na boca, óculos escuros e relógio prateado, enquanto pilota uma lancha em um dia ensolarado. A foto foi postada em 8 de janeiro, mas não há data de quando foi feita. 

Em novembro, Magalhães revela que mantém seu gosto por motocicletas de cilindradas potentes, apesar de seus bens estarem congelados por ordem da Justiça. A imagem é de uma motocicleta BMW. A empresária Nágela Coelho, mulher de Magalhães, comenta a foto: “Nervosaaaaa”.

O fiscal ganhou destaque ao dizer, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, que tinha usado o dinheiro obtido com a máfia do ISS com mulheres e viagens. Na época, seu patrimônio foi estimado em R$ 15 milhões.

Na rede, Magalhães “curte” uma página sobre cavalos, páginas de imobiliárias e uma comunidade chamada “Beijinho no ombro pro Recalque”.

Rombo. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Magalhães ajudou a causar um rombo milionário nas contas da Prefeitura, ao cobrar propina das grandes construtoras da cidade para facilitar a sonegação de ISS. Ele recebia ordens do ex-subsecretário de Finanças de Gilberto Kassab (PSD), Ronilson Bezerra Rodrigues.

Magalhães foi o primeiro fiscal ligado ao esquema a ser solto, em outubro de 2013, ao confessar participação nos delitos e concordar em assinar um acordo de delação premiada.

Bens. O criminalista João Ramacioti, defensor de Magalhães, argumenta que o barco e os demais bens mostrados nas redes sociais estão indisponíveis. “Ele tem a posse do barco. Então, tem de cuidar, limpar, pagar os impostos. Ele não pode vender, não está desfrutando desses bens”, afirma. 

“É importante dizer que ele tem outra renda, desde que foi demitido a bem do serviço público”, diz o criminalista. De fato, na rede, ele se apresenta como diretor executivo da empresa NC Fit & Beach, registrada na junta comercial do Estado no nome da mulher dele, com capital de R$ 1 e endereço na zona leste de São Paulo. “Ele confessou e está respondendo por seus atos, não é possível esperar que ele morra de fome”, diz o advogado.

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