Operador aciona freio e evita tragédia

Ele notou problemas no painel de controle, momentos antes do acidente, e usou sistema de emergência quando composição acelerou

O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2012 | 07h43

Uma falha mecânica provocou o choque entre os trens do metrô na manhã de ontem, em São Paulo. Segundo relato à polícia do maquinista da composição que colidiu com outra parada, na Linha 3-Vermelha, houve oscilações atípicas no painel de controle do trem, momentos antes do acidente. O sistema indicava para o veículo acelerar - quando deveria parar.

Na versão do operador, o acidente só não tomou proporções mais graves porque ele soube reconhecer a falha a tempo de acionar o freio de emergência, que desacelerou o trem de forma gradativa. Quando houve o choque, a velocidade da composição estava entre 10 km/h e 12 km/h.

Em depoimento, o funcionário de 29 anos de idade disse também que, até constatar a falha, a composição era operada automaticamente, como determina o sistema de segurança do Metrô. Nesse modo, a função do condutor é apenas a de fiscalizar as funções, sem intervir nos processos de aceleração e desaceleração, por exemplo. A mudança só teria ocorrido porque o maquinista viu um trem parado à frente.

"Ele agiu como um herói. Tomou a decisão certa para evitar uma tragédia maior. Mais um metro de distância nem haveria a batida", afirmou o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, responsável pela investigação.

Minutos antes da batida, outra falha foi identificada na linha. Segundo o diretor do Sindicato dos Metroviários Alex Fernandes, o operador de outra composição relatou ao Centro de Controle Operacional do Metrô um problema no sistema automático dos trens no trecho do acidente. O maquinista teria alterado o controle para manual e evitado a colisão. "Foi por volta das 9 horas", disse. O Metrô confirmou a informação.

O motivo da suposta falha mecânica não foi divulgado. A companhia afirmou que a análise das caixas-pretas de ambos os trens é que determinará o que aconteceu. Os equipamentos foram resgatados pela equipe da Comissão Permanente de Segurança (Copese), responsável pela investigação interna.

Uma das hipóteses levantadas pela polícia é de que um sensor do sistema não funcionou. Sem a leitura automática, a desaceleração programada não ocorreu e o maquinista acionou o freio de emergência só quando viu o trem à frente - a máquina seguiria para a Linha 1- Azul após manutenção.

Os sensores registram a passagem dos trens e promovem, automaticamente, uma redução de velocidade nas composições em circuitos anteriores. Há uma leitura a cada 200 metros, mesma distância considerada ideal entre as máquinas.

Segundo especialistas ouvidos pelo Estado, a Linha 3-Vermelha é segura. Apesar de não ter o CBTC, sistema de segurança utilizado nas linhas 2-Verde e 4-Amarela, o ramal não oferece risco aos passageiros.

"O que vimos hoje (ontem) foi uma grande surpresa. Nunca se imaginou uma batida de trens do metrô, exatamente por esse cuidado com a segurança. Agora, é preciso estudar essa falha para evitar novos casos", disse o engenheiro Horácio Augusto Figueira, especialista em tráfego. O caso foi assumido pela Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom), que investigará lesão corporal culposa. O Ministério Público também vai investigar o acidente. /ADRIANA FERRAZ e BRUNO RIBEIRO

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