Ministério Público
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Operação em SP prende 12 policiais ligados a jogos de azar

Entre eles, há um coronel da reserva e um agente que trabalhava na corregedoria; cem mandados de busca foram cumpridos em 12 cidades paulistas

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2017 | 11h09
Atualizado 05 Julho 2017 | 19h21

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual de São Paulo e as corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil prenderam nesta quarta-feira, 5, 12 policiais suspeitos de atuar na segurança de casas de jogos de azar no Estado. Entre eles, há um coronel da reserva e um agente que trabalhava na corregedoria. A suspeita é de que eles tenham se envolvido com uma organização criminosa com atuação em ao menos 12 cidades da região metropolitana e do interior. Além dos policiais, 10 outras pessoas foram presas.

De acordo com o MP, a investigação começou há cerca de dez meses e apurava a atuação de um grupo envolvido com jogos de azar e contou com a delação de um dos alvos. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) alertou, então, as corregedorias sobre o envolvimento dos policiais. Foram expedidos mandados de prisão temporária contra oito policiais militares (um da reserva) e quatro civis. As equipes cumpriram ainda nesta quarta cem mandados de busca residências, comércios e casa de jogos.

 

A operação apreendeu 652 máquinas de jogos e 181 CPUs, além de R$ 18.565. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, São Bernardo, São Caetano, Santo André, Peruíbe, Oriente, Praia Grande, Ribeirão Pires, Santa Cruz do Rio Pardo, Ferraz de Vasconcelos e Itanhaém. Cerca de 300 policiais e 20 promotores foram empregados na operação. As máquinas já começaram a ser destruídas após a realização da perícia.

Segundo o secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, os envolvidos poderão responder por associação criminosa. "É importante notar que a máquina caça-níquel é um dos eixos de uma atividade criminosa muito maior, que pode envolver corrupção e lavagem de dinheiro. Aquele comerciante que resolve ter a máquina na sua padaria não enxerga que a atividade é extremamente danosa", disse. 

O subprocurador-geral de Justiça Mário Luiz Sarrubbo reforçou a gravidade da prática. "O comerciante que detém as máquinas poderá e deverá responder por crime organizado, na medida em que ele colabora e participa de um processo muito maior de criminalidade, que pode contar eventualmente com a lavagem de dinheiro”, disse. 

Mágino disse que os maus policiais devem ser "expurgados". "Enxergamos nesses policiais bandidos piores até que aqueles outros que combatemos nas ruas. É um agente que não mede as consequência das suas condutas. Isso é inadmissível", disse Mágino na tarde desta quarta na sede da Secretaria da Segurança, no centro. 

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