Operação no Capão Redondo e Campo Limpo começa com morte

Suposto confronto entre policiais e bandidos na Rua Canto do Rio Verde terminou com assassinato de suspeito

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2012 | 02h03

Depois de operações em Paraisópolis e nas Favelas São Remo e Funerária, a Polícia Militar cercou ontem à tarde os bairros do Campo Limpo e do Capão Redondo, na periferia da zona sul. Iniciada por volta das 16h, a ação já registrava cinco horas depois a primeira morte: um suposto confronto entre PMs e bandidos na Rua Canto do Rio Verde, no Campo Limpo, terminou com o assassinato de um suspeito.

Foi o primeiro caso desde que a PM passou a adotar a operação em áreas da capital. Participaram ontem da operação 296 policiais - em 93 viaturas, 43 motos e dois helicópteros Águia.

Segundo a corporação, policiais da 5.ª Companhia do 37.º Batalhão faziam patrulhamento quando viram quatro rapazes correndo. Um dos jovens teria atirado contra a viatura e, então, os policiais teriam reagido. Ainda segundo a PM, o rapaz chegou a ser levado com vida para o pronto-socorro do Hospital do Campo Limpo, onde morreu. Os outros três foram presos - duas armas e uma pequena porção de droga foram achadas com eles.

Desde junho, mortes de policiais em horário de folga são seguidas por assassinatos na região do Campo Limpo e do Capão Redondo. Em outubro, apenas no 47.º Distrito Policial (Capão Redondo), um dos cinco que servem a área, foram registrados 16 homicídios.

O responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Marcos Chaves, justificou a ação dizendo que todos os locais onde há grande incidência de homicídios serão saturados com viaturas e homens da corporação.

De acordo com ele, o foco é a localização de foragidos da Justiça, a apreensão de drogas e a fiscalização de motoqueiros com garupa - na maioria dos assassinatos na região, os atiradores estavam em motos e levavam outra pessoa que também podia fazer disparos. Chaves afirmou ainda que os dois bairros, pela proximidade, poderiam estar servindo de esconderijo para criminosos que deixaram Paraisópolis, favela vizinha ao Morumbi.

A presença ostensiva da polícia não é vista como garantia de tranquilidade pelos moradores. Os toques de recolher das últimas semanas são atribuídos à própria PM por quem vive ali - algo desmentido veementemente pela polícia.

Temor. A massoterapeuta Lúcia Marcelino, de 32 anos, teme algum confronto. "Se acontece um tiroteio entre polícia e bandidos, quem está na rua pode levar bala perdida. Sou mãe de duas crianças, fico com medo."

A estudante Fernanda Leão, de 19, vê com desconfiança a presença tão grande de policiais nas ruas dos bairros. "Foi só começarem a matar policial para resolverem aparecer aqui com tudo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.