Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Operação na cracolândia foi um 'sucesso', diz Haddad

Dois moradores de rua ficaram feridos depois de ação da Prefeitura para desmontar 'favelinha' e combater o tráfico de drogas na região

Juliana Diógenes e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2015 | 16h52

Atualizada às 20h54

SÃO PAULO - Um dia após uma operação na região da cracolândia, no centro da capital paulista, terminar com dois moradores de rua feridos por estilhaços de bala, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que a ação foi “extremamente bem-sucedida” e “terminou como planejado”.

“Não podemos negar que houve um incidente. Agora, a operação em si foi um sucesso. As barracas estão desmontadas e os traficantes, afastados. Os objetivos foram 100% conquistados. Manter é o nosso desafio”, afirmou Haddad. Para garantir que as barracas não voltem a ser erguidas, o prefeito defendeu a “presença ostensiva” da polícia no local, com o objetivo de intimidar o tráfico de drogas.

Haddad admitiu que, a princípio, não havia pedido o apoio da PM para a operação. “O apoio (da polícia) foi pedido quando soubemos que alguns membros daquela comunidade, provavelmente ligados ao tráfico, imporiam resistência. Me vi na obrigação de comunicar (ao secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes).”

Segundo o prefeito, a operação foi feita após acordo com os usuários, e que isso estava sendo negociado nas últimas três semanas. Diante do descumprimento do acordo, porém, a Prefeitura ligou para o secretário e pediu o reforço da Polícia Militar.

Sobre os tiros disparados por um policial à paisana e que acabaram ferindo dois moradores de rua, o prefeito afirmou que não cabia a ele comentar a ação. “Isso está sendo apurado pela própria polícia. Foi um incidente que não estava no roteiro.”


Visita. O prefeito afirmou que esteve na cracolândia na manhã desta quinta e que havia cerca de 60 usuários de drogas, número positivo para a Prefeitura, segundo ele.

“É um padrão muito parecido com o melhor momento do programa De Braços Abertos, em junho do ano passado.”

A reportagem, porém, contou ao menos 200 dependentes aglomerados na Alameda Dino Bueno, entre a Rua Helvétia e a Alameda Glete, na manhã desta quinta. “Agora não vai passar ninguém. Até guarda vai ter de pagar pedágio”, gritava um morador de rua. 

Apesar do reforço da Guarda Civil Metropolitana, dezenas de pessoas andavam com cachimbos para fumar crack livremente pelas ruas. 

Mesmo proibidos, era possível ver carrinhos de supermercados sendo empurrados de uma lado para outro. Os equipamentos costumam servir para esconder e transportar droga, segundo policiais. 

Desde setembro, de acordo com Haddad, cerca de 30 traficantes passaram a ocupar as barracas que formam a chamada “favelinha”, houve redução do efetivo policial na região e o tráfico de drogas retomou a área.

Agora, a Prefeitura vai novamente tentar impedir que barracos sejam montados na região. Cerca de 250 agentes da Guarda Civil Metropolitana devem se fixar na região para não deixar que surjam novas “favelinhas”. Segundo a corporação, o aumento é de aproximadamente 50% do efetivo.

Para a Prefeitura, as barracas facilitam o tráfico de drogas e diminuem a eficiência de ações sociais na cracolândia.

Entulho. Desde a operação, ao menos 23 caminhões carregados de barracas, carrinhos e entulhos foram retirados da região. “A ação de ontem (quarta-feira) foi de reorganização do espaço público e foi muito bem-sucedida”, afirmou Gilson Menezes, comandante-geral da Guarda Civil.

Na quarta, o secretário estadual da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, havia criticado a operação da Prefeitura e dito que a pasta não havia sido informada sobre a ação. 


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