Operação de guerra no ABC para júri de assaltante

Gilmar Vilarindo de Moura é considerado um dos maiores ladrões de banco do País; temor da Polícia Federal é que ele seja resgatado por comparsas

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Uma operação de guerra foi montada pela Polícia Federal (PF) em Santo André, no ABC paulista, para garantir a segurança da cidade durante o julgamento de um homem considerado como um dos maiores ladrões de banco do País. O objetivo é evitar que Gilmar Vilarindo de Moura, o Alemão ou Gilmar da Palmares, de 37 anos, seja resgatado por criminosos hoje à tarde, quando será julgado por um assassinato que teria cometido em 1999.

Acusado de participar de roubos a bancos e carros-forte em 11 Estados, Alemão está detido na Penitenciária Federal de Mossoró (RN) desde o ano passado. Pela manhã, ele será transportado para São Paulo em um avião da polícia. Alegando motivos de segurança, a PF não informou o horário do voo nem a forma como Gilmar será levado a Santo André. O julgamento está previsto para começar às 13 horas.

A operação, porém, não deve afetar o funcionamento do restante do Fórum nem dos edifícios vizinhos - prefeitura e Câmara Municipal. Para montar o esquema de segurança, agentes visitaram o local diversas vezes ao longo da semana, tiraram fotografias, estudaram as possíveis rotas de fuga e se reuniram com juízes e promotores.

Crimes. Em agosto do ano passado, Gilmar foi condenado a 96 anos de prisão por um assalto a banco ocorrido em São Gotardo (MG). Em 9 de janeiro de 2007, pelo menos nove assaltantes armados com fuzis e escopetas invadiram a cidade atirando. Cerca de R$ 2 milhões foram levados de duas agências bancárias. Um juiz e dois delegados foram feitos reféns. Um policial militar foi morto e outros três ficaram feridos. O grupo foi apelidado de "novos cangaceiros".

Considerados líderes do bando, Alemão e João Ferreira Lima, o João de Goiânia, foram presos em 17 de fevereiro de 2009 em Tocantins, quando planejavam roubar, na Venezuela, um carregamento de uma tonelada de ouro avaliado em R$ 50 milhões.

"É um júri rotineiro. O que foge da rotina são os antecedentes do réu e a preocupação com a segurança", afirma o promotor Antônio Nobre Folgado.

ALGUNS CRIMES

Criciúma (SC) / 2003

Dois policiais mortos em ataque a agência bancária

Uberlândia (MG) / 2005

R$ 1 mi roubado de carro-forte

Uberaba (MG) / 2005

R$ 700 mil roubados de carro-forte; um vigia morto e três feridos na explosão do veículo

Vila Velha (ES) / 2008

Assalto a carro-forte; uma idosa morta com uma bala perdida de um fuzil da quadrilha

Maringá (PR) / 2008

R$ 500 mil roubados de carro-forte com metralhadora antiaérea colocada em uma Blazer

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