Operação da polícia esvazia região da Cracolândia em SP

Durante 20 dias, de um apartamento alugado, os policiais observaram e gravaram imagens de toda a movimentação

Bruno Lupion, Estadão.com.br

08 de abril de 2011 | 03h30

SÃO PAULO - Mais de 50 policiais civis realizaram uma operação na Cracolândia, região central de São Paulo, no início da madrugada desta sexta-feira, 8, para prender traficantes de drogas. A Rua dos Gusmões, geralmente repleta de viciados nesse período do dia, ficou vazia, e cinco adultos e uma adolescente foram detidos.

 

Durante um mês, os policiais se infiltraram entre os usuários de drogas e gravaram imagens para identificar os traficantes. Os investigadores escolheram um trecho onde todas as madrugadas há intenso movimento de compra e consumo de crack: a Rua dos Gusmões, entre a Rua Santa Ifigênia e a Avenida Rio Branco.

 

As viaturas chegaram de surpresa, por volta da meia-noite, e bloquearam a rua quando cerca de 300 usuários, desde crianças até idosos, perambulavam pelo local. A polícia temia que os usuários reagissem em massa, em um efeito conhecido como "cavalo doido", mas quando os viciados perceberam que o alvo eram apenas os traficantes, não ofereceram resistência.

 

Quatro mulheres e um homem foram presos em flagrante por tráfico, além de uma adolescente, autuada por ato infracional. A polícia também apreendeu 70 pedras de crack, algumas porções de maconha e R$ 2 mil em espécie.

 

"Estamos determinados a intensificar as operações contra os traficantes da Cracolândia", disse o delegado Marcos Galli Casseb, titular do Setor de Investigações Gerais da 1ª Delegacia Seccional. Casseb afirmou que manterá agentes naquele trecho nas próximas noites para evitar a chegada de novos vendedores de drogas.

 

Após a ação, garis começaram a varrer os montes de entulho e lixo deixados para trás. "É toda noite assim. Hoje a gente limpa, depois vai pra casa descansar e na noite seguinte tá tudo sujo de novo. Durante a fissura, os viciados rasgam os sacos de lixo em busca de objetos de valor", disse um gari de 33 anos, que preferiu não se identificar.

 

Ele trabalha há um ano durante a madrugada naquele quarteirão e disse que nunca sofreu ameaças dos usuários de crack. "A gente não está aqui para prejudicar eles, então não costuma ter problemas", contou. Entre o lixo acumulado, havia muitas placas eletrônicas, frutas estragadas, isqueiros, brinquedos quebrados, revistas masculinas e cartelas do remédio paracetamol.

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