Operação da PM em Paraisópolis prende membro do PCC

Edson Ferreira dos Santos, de 31 anos, conhecido como Nenê, é apontado pela polícia como responsável por julgamentos na comunidade

William Cardoso, O Estado de S. Paulo

29 Outubro 2012 | 15h35

Texto atualizado às 23h34.

SÃO PAULO - Quatro pessoas foram presas e 130 quilos de maconha apreendidos nesta segunda-feira, 29, durante a Operação Saturação da Polícia Militar na favela de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. Entre os detidos na ação, iniciada nesta madrugada com efetivo de 500 homens, está Edson Ferreira dos Santos, de 31 anos, o Nenê, apontado pela polícia como membro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) - ele seria o responsável por fazer os julgamentos na comunidade, função conhecida como disciplina. A droga apreendida estava dentro de um barraco vazio.

Além dele, foram detidos pai e filho dentro de uma van escolar, com revólver e munição de pistola 380, e um homem com uma moto roubada. A mãe de Ferreira foi detida e liberada após prestar depoimento.

Ferreira assumiu o posto após a prisão de Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí, em agosto, em Santa Catarina. A Operação Saturação havia acabado de começar quando Nenê chegou à casa de sua mãe, no fim da madrugada. Percebendo a movimentação policial, fugiu para a casa do pai, em Taboão da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo.

Antes de encontrarem Ferreira, os policiais revistaram a casa da mãe dele e encontraram três carregadores de pistolas 9 mm, 380 e 635. Também acharam quatro pedaços de papel, escondidos em um estojo de raquete de tênis, que citavam nomes e números, uma possível referência à contabilidade do tráfico na comunidade.

A polícia se deslocou então até Taboão e prendeu Ferreira. Ele foi levado de volta a Paraisópolis e, no apartamento onde mora com a namorada, na Rua Independência, os policiais encontraram um fuzil calibre 762, de fabricação belga, o mesmo modelo usado pelo exército argentino. Também acharam um tijolo de maconha.

Segundo a polícia, Nenê era o "disciplina" do PCC na comunidade (responsável pelos julgamentos do "tribunal do crime"). Interceptações telefônicas realizadas recentemente mostram também que todas as decisões referentes à criminalidade em Paraisópolis e ao tráfico de drogas na zona sul da capital passavam por suas mãos. Curiosamente, Nenê tem antecedentes criminais apenas por porte de entorpecentes, duas vezes na metade da década passada.

Operação. Iniciada na madrugada, a Operação Saturação na favela de Paraisópolis visa, segundo o a Secretaria de Segurança Pública, combater a criminalidade na comunidade, que tem cerca de 80 mil habitantes. O objetivo da investida, de acordo com a pasta, é a apreensão de armas, drogas e o desmonte de pontos de tráfico.

A operação utiliza policiais do Batalhão de Choque e do 16º Batalhão de Polícia Militar, além de 100 carros, dois caminhões, 28 motocicletas, 8 cães, 60 cavalos e um helicóptero Águia.

O objetivo da polícia é controlar toda a área da favela, que foi mapeada de acordo com os pontos de maior incidência criminal, informou a Secretaria de Segurança Pública. Haverá bloqueios em 12 pontos e serão feitas ações de rondas ostensivas com motocicletas.

O major Marcelo Gonzales, responsável por comandar a operação, afirmou que não se trata de uma ocupação policial, mas sim uma operação contra o tráfico e delitos como roubo. "É clínica geral. Vamos gastar sola de bota, como se diz no jargão policial. Queremos estabelecer uma relação de confiança com a comunidade."/ Colaborou Felipe Tau

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