Operação da PF deve atingir em cheio negócios do PCC

Cerca de 80% da droga negociada pela quadrilha era comprada pela cúpula da facção criminosa em SP

Da Redação,

12 Dezembro 2008 | 23h59

A Operação Aracne da Polícia Federal deve atingir em cheio os negócios do Primeiro Comando da Capital (PCC). Após um ano de investigações, os federais constataram que 80% da droga despachada do Mato Grosso seguia para a capital paulista e para municípios da Grande São Paulo. As encomendas, segundo a PF, partiam de dois integrantes da cúpula da facção presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. O PCC surgiu nos presídios paulistas em 1993. A estimativa é de que na fase inicial da facção, ela tinha cerca de 5 mil integrantes. A arrecadação vinha basicamente dos filiados, que pagavam uma contribuição mensal ao comando, que restringia suas ações às reivindicações de melhorias dentro das prisões.  A estimativa é que o PCC domina 90% do sistema prisional de São Paulo, mas que já tenha se infiltrado em outros Estados. No Rio, o principal aliado do PCC seria o Comando Vermelho (CV). Por meio do tráfico, contrabando de armas e outros crimes, a arrecadação da facção cresceu, segundo informações tiradas dos contadores da organização presos pela polícia. Os líderes da facção Marcos William Herbas Camacho, o Marcola - chegou à liderança do PCC em 2002. Sua chefia encerrou a fase de brigas internas do PCC e fortaleceu a organizaçãoJulio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola - assumiu o segundo posto na hierarquia com a morte de Sandro Henrique da Silva Santos, o GuluRogério Geremias de Simone, o Gegê do Mangue - coordenava a contabilidade do PCC de dentro do Presídio de MirandópolisAlejandro Juvenal Herbas Camacho, o Júnior - preso em abril de 2006, o irmão do líder máximo do PCC era o coordenador principal das atividades da organização nas ruasOrlando Mota Júnior, o Macarrão - é o porta-voz do PCC com os presos. Saem dele as ordens para as ações nas cadeias e nas ruas. Estatuto do PCC O estatuto da facção, escrito por Mizael Aparecido da Silva, o Miza, um dos oito fundadores da facção, tem forte teor político. Antes de ser assassinado na prisão, em fevereiro de 2002, ele escreveu uma carta para parceiros presos em Bangu 1 - prisão de segurança máxima no Rio de Janeiro -, pregando um megaevento nacional, ou seja, uma rebelião em vários Estados, além de atentados e assassinatos de políticos do PSDB e jornalistas, com a ajuda do aliado Comando Vermelho (CV). Muitos líderes do PCC procuram se politizar, lendo livros de esquerda, como obras de Lenin e Trotski (líderes da Revolução Russa de 1917). O número 1 do PCC, o Marcola, já leu, segundo o Ministério Público, 3 mil livros, incluindo A Arte da Guerra.

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