Polícia Civil/SP
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Operação em SP desarticula quadrilha que apoiava traficantes da Rocinha

Segundo a Polícia Civil, facção paulista PCC fornecia armas a criminosos do Rio; ao menos 13 pessoas foram presas

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 07h26

SÃO BERNARDO - Uma operação da Polícia Civil de São Paulo prendeu 13 pessoas nesta quinta-feira, 19, suspeitas de integrar uma aliança entre a facção paulista Primeiro Comando da Capital  (PCC) e o grupo Amigos dos Amigos (Ada), do Rio. Os policiais também apreenderam armas, entre elas uma espingarda calibre 12, uma pistola Magnum e uma besta (que atira setas), além de munições.

Apontado pelas investigações como o intorlocutor do PCC com as quadrilhas cariocas, Fabiano Robson dos Santos, o "Negão da Baixada", foi preso na Praia Grande, no litoral. Ele foi surpreendido em uma residência, de madrugada, e não resistiu.

Em interceptação telefônica, há cerca de 40 dias, Santos aparece negociando o envio de fuzis para a favela da Rocinha, no Rio. Segundo as investigações, a remessa teria cerca de 15 armas, que seriam usadas na disputa que o Ada trava com a maior facção carioca, o Comando Vermelho (CV), pelo comando do tráfico de drogas nos morros. 

Ouça a conversa interceptada pela polícia: 

Aliados por cerca de 20 anos, PCC e CV estão rompidos desde o fim de 2016. Desde então, protagonizaram embates, como os massacres em presídios do Norte e Nordeste, em janeiro.

+++ Suspeito é morto pela PM em confronto na Rocinha nesta quarta

Mais recente, outro grampo mostra Santos organizando um protesto em Brasília contra a rigidez dos presídios federais, onde estão detidos os principais traficantes do bando carioca. Segundo a Polícia Civil, os criminosos chegam a discutir o aluguel de ônibus e o pagamento de manifestantes para o ato.

Para dificultar ser identificado por policiais, Santos trocou de nome várias vezes. Além de "Negão", também é chamado de "Febem" ou "Salazar" nas escutas. Segundo as investigações, ele seria gerente do tráfico do PCC no litoral. "É o cabeça da quadrilha: só ele falava com o pessoal do Rio", afirmou o delegado Aldo Galiano Junior, titular da seccional de São Bernardo.

O apelido mais recente de Santos foi usado para batizar a "Operação Salazar", deflagrada contra o tráfico de drogas e armas, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Coordenados pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes  (Dise), de São Bernardo, os policiais tentam cumprir, ao todo, 26 mandos de prisão temporária e outros 94 de busca e apreensão.

Cerca de 320 policiais foram às ruas em 19 cidades da Grande São Paulo, interior e Baixada Santista. No organograma da quadrilha, ainda há cerca de 30 criminosos que não foram identificados peloa investigadores.

Para a Polícia Civil, a aliança entre PCC e Ada é motivada pelo aumento do cerco policial por causa da rixa com o CV. "Ou eles estão apertados no Rio, precisando de recursos, não conseguem vender droga lá e tentam montar um braço aqui para ganhar dinheiro", afirmou Galiano. "Ou eles tiraram a droga da comunidade, trouxeram para cá para vender aos poucos e não peder tudo em uma grande apreensão."

"A questão é toda financeira", diz o delegado. "O PCC sabe que, se a coisa aperta aqui, eles socorrem lá. Então e estabelecida uma relação de socorro, um socorre o outro."

Segundo as investigações, a aliança entre as facções se daria no litoral. "A topografia de Santos é igual a do Rio de Janeiro, inclusive com a parte urbana e das favelas. Por uma questão estratégica, a logística seria a mesma que eles já realizam lá." 

Os policiais chegaram até essa célula do PCC após dar continuidade a uma investigação anterior, que motivou a "Operação Sub Zero", em março. Na época, foram presos 8 suspeitos de integrar a facção.

Há cerca de nove meses, a Polícia Civil havia localizado sítios na região do Riacho Grande, no ABC, próximo à represa Billings, que eram alugados pelo PCC, com contratos curtos. Rotatórios, os pontos serviam de apoio para reuniões da facção ou crimes como tráfico de drogas ou desmanche de veículos.

Santos entrou no radar da polícia e começou a ser monitorado depois que a investigação cruzou dados de celulares e computadores dos outros presos. COLABOROU BIBIANA BORBA

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