Operação chega a Capão Redondo e Campo Limpo

Após cerco a Paraisópolis e ação nas Favelas São Remo e Funerária, polícia entrou ontem nos dois bairros com 296 homens

O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2012 | 02h06

Os bairros do Campo Limpo e do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, foram ontem os novos alvos da Operação Saturação da Polícia Militar. Desde junho, mortes de PMs em horário de folga são seguidas de uma série de assassinatos na região. Em outubro, apenas no 47.º Distrito Policial (Capão Redondo), um dos cinco DPs que servem a área, foram registrados 16 homicídios.

O responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), o tenente-coronel Marcos Chaves, justificou a ação dizendo que todos os locais onde há grande incidência de homicídios serão saturados com viaturas e homens da corporação. Participaram ontem 296 policiais, em 93 viaturas, 43 motos e dois helicópteros Águia.

Segundo Chaves, o foco é a localização de foragidos da Justiça, a apreensão de drogas e a fiscalização de motoqueiros com garupa - na maioria dos assassinatos na região, os atiradores estavam em motos e levavam outra pessoa que também podia fazer disparos. O comandante do CPC disse ainda que os dois bairros, pela proximidade, poderiam estar servindo de esconderijo para criminosos que deixaram Paraisópolis, também na zona sul, após a PM ter ocupado o local, na segunda-feira.

População. Entre os moradores, a presença ostensiva da polícia não é vista como garantia de tranquilidade. Os toques de recolher ocorridos nas últimas semanas são atribuídos à própria PM por quem vive ali - afirmação desmentida veementemente pela corporação.

A massoterapeuta Lúcia Marcelino, de 32 anos, teme algum confronto. "Se acontece algum tiroteio entre polícia e bandidos, quem está na rua pode ser atingido por uma bala perdida. Sou mãe, tenho duas crianças pequenas, fico com medo."

A estudante Fernanda Leão, de 19, vê com desconfiança a presença tão grande de policiais nas ruas dos bairros. "Nunca tem nada. Foi só começarem a matar policial para aparecerem aqui com isso tudo." / WILLIAM CARDOSO

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