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Operação antecipada por vazamento prende policial e integrantes do PCC

Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão em cidades da região de Campinas, em São Bernardo do Campo e Embu das Artes e na capital

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2016 | 18h50

SOROCABA - Operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e das Polícias Civil e Militar deixou nesta quarta-feira, 19, dois mortos e resultou na prisão de dez suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, altamente sigilosa, estava prevista para sexta-feira, mas foi antecipada porque houve vazamento. Entre os presos está um policial civil do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) envolvido no caso das 3 toneladas de maconha apreendidas em agosto num caminhão do Exército. 

O policial mantinha uma organização paralela de parceria com o PCC para fornecimento de drogas e armas. Dois suspeitos foram mortos após reagir à prisão em Paulínia. A Operação Tormenta foi feita pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP em Campinas, em conjunto com o Batalhão da PM na cidade do interior e a Corregedoria da Polícia Civil. 

Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e 14 de prisão em cidades da região de Campinas, em São Bernardo do Campo e Embu das Artes, na Grande São Paulo, e na capital. Mais dois mandados de prisão ainda serão cumpridos. Um investigado já havia sido preso na terça-feira, totalizando 11 prisões na operação.

Passaporte. Policial do Denarc, Bruno Luiz Soares Figueiredo foi preso no bairro do Campo Belo, zona sul da capital, com a mulher, Vanilda Cândido, também suspeita de integrar o esquema. De acordo com o promotor do Gaeco José Claudio Baglio, o suspeito estava com o passaporte e dinheiro, o que indicaria que ele foi avisado da operação e se preparava para uma fuga ao exterior com a mulher. O gabinete do policial no Denarc foi vasculhado pelos promotores.

Outros dois integrantes do bando do policial foram presos em São Bernardo. Conforme Baglio, a investigação indica que Figueiredo chefiava a organização que trabalhava em sintonia com o PCC, repassando as drogas apreendidas pela polícia. O policial tinha acesso a informações privilegiadas e avisava os traficantes sobre as operações. “Ele foi responsável pelo vazamento das operações que o Denarc estava fazendo na Cracolândia. Também tinha pessoal dele no Cine Marrocos.” 

Exército. De acordo com o promotor, Figueiredo também se relacionava com um integrante do PCC que era “proprietário” de metade das 3 toneladas de maconha encontradas em um caminhão do Exército, também em agosto, em Campinas. Na ocasião, três militares lotados em Campo Grande (MS) foram presos. 

As mortes de dois suspeitos aconteceram no Jardim Amélia, em Paulínia, após resistirem à prisão e trocarem tiros com a polícia. Uma unidade de saúde do bairro ficou fechada de manhã por segurança. Os policiais apreenderam computadores, celulares e veículos. 

Já em Campinas foi preso um homem suspeito de ser o “disciplina” do PCC, uma espécie de “corregedor”, incumbido de cobrar o cumprimento de ações criminosas determinadas pela cúpula. “Todos os presos na operação têm papel proeminente na facção, mas este ocupava um posto de comando, era ele quem resolvia as pendências internas, com base nas diretrizes do PCC. Foi um duro golpe na facção”, disse Baglio.

De acordo com ele, o vazamento que pôs em risco a operação aconteceu após uma reunião com a equipe das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em São Paulo e está sendo investigado. “Houve essa reunião e logo depois um dos alvos que eram monitorados com autorização da Justiça falou sobre a operação, referindo-se a alguém que trabalhava na Rota.” Segundo ele, o vazamento quase pôs a perder um trabalho de quatro meses. “Tivemos de arregimentar gente às pressas para visitar os 33 lugares que seriam alvo de buscas. Isso em menos de oito horas.” 

Sobre a prisão do policial, a Secretaria da Segurança informou que um procedimento administrativo foi aberto para apurar a conduta do servidor e pode resultar em expulsão.

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