Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Ônibus vai para R$ 2,90 em dezembro

Proposta do orçamento de 2011 que será enviada na quinta-feira à Câmara também prevê R$ 600 milhões de subsídios para empresas

Diego Zanchetta, Renato Machado, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

A passagem de ônibus na capital paulista vai passar para R$ 2,90 em dezembro - atualmente está em R$ 2,70. A informação foi dada ontem pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao detalhar a proposta para o orçamento de 2011 e noticiada em primeira mão pelo portal estadão.com.br. "Pode ser um pouco mais, um pouco menos. Mas a cidade tem de ter um reajuste com base na reposição da inflação todo ano, sem deixar acumular (o preço). Isso é transparência", afirmou o prefeito ao Estado.

O orçamento é um projeto de lei que todo ano deve ser encaminhado pela Prefeitura para a Câmara Municipal. O texto deve conter as previsões de receita, despesas e investimentos do poder público para ano seguinte.

O valor da tarifa de ônibus que constará na proposta representará um reajuste de 7,4%. Essa alta vai ficar acima da inflação estimada pelos institutos de pesquisa para 2010. A meta do Banco Central é de que o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 4,5% (o mercado espera 5%) e o acumulado até agosto do IPC-Fipe, que mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo, foi de 3,45% (se o ritmo for mantido, ficará perto de 5,2%). Esse será o segundo reajuste na tarifa de ônibus em menos de um ano - o último foi em 1.º de janeiro.

Além dele, a gestão Kassab prevê aumento no ano que vem dos recursos que serão repassados para as empresas de ônibus em forma de subsídios. Serão R$ 600 milhões no total. A Prefeitura não explicou por que aumentou esses repasses. Em anos anteriores, sua justificativa era de que essa era a única forma de manter baixas as tarifas - uma promessa de campanha de Kassab, que disse que não promoveria aumentos no primeiro ano do segundo mandato (2009).

A Prefeitura agora afirma que repasses são necessários para garantir as gratuidades a idosos, estudantes e portadores de deficiência, por exemplo, e manter a renovação da frota (veja abaixo).

Especialistas apontam que os reajustes são "inevitáveis", mas a consequência é que acabam afastando os usuários do transporte público.

"É fato que muitas pessoas preferem financiar uma moto, por exemplo, com o dinheiro que gastavam em passagens", afirma o superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), Marcos Pimentel Bicalho.

A entidade estima que os congestionamentos são responsáveis pelo encarecimento da tarifa em 25%. "É o custo pela falta de investimentos na melhoria dos transportes, em corredores de ônibus", completa.

Cálculo. Apesar da informação do prefeito e do secretário do Planejamento, Rubens Chammas, a Secretaria Municipal dos Transportes afirmou, em nota, que ainda não iniciou os cálculos de correção da tarifa.

Destino do dinheiro

GILBERTO KASSAB

PREFEITO DE SÃO PAULO

"Nós estamos pagando a renovação da frota por meio das compensações tarifárias também. Não existe aumento de subsídios para viações"

"O aperfeiçoamento na prestação de contas é um objetivo contínuo"

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