Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Ônibus e CPTM circulam normalmente e Metrô opera parcialmente

Linhas 1,2 e 3 do Metrô funcional parcialmente; linha 15-Prata está paralisada; atos bloqueiam vias na capital e interior

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 06h54
Atualizado 14 de junho de 2019 | 15h14

SÃO PAULO - Mesmo com a convocação de centrais sindicais para greve geral em todo o País, os transportes operam praticamente na totalidade em São Paulo. A SPTrans informou que 97% da frota de ônibus funcionou normalmente na manhã desta sexta-feira, 14. Ao total, são 3.570 veículos em operação.

O Metrô ainda tem operação parcial na tarde desta sexta-feira. As linhas 1, 2 e 3 funcionam parcialmente; 4 e 5 funcionam normalmente. A linha 15-Prata está paralisada. Os trens da CPTM estão circulando normalmente. 

A reportagem do Estado esteve pela manhã nas estações Jabaquara e Tucuruvi, que estavam fechadas. Apesar do pouco movimento, passageiros reclamavam. "O que me entristece é que aos olhos do meu patrão eu estou ausente. E não protestando. Gostaria de chegar ao trabalho para protestar. Mas entendo o lado dos metroviários", disse Ibiratam Umega, 54 anos, especializado em automação predial. Nael José de Souza, 31 anos, trabalhador da  construção civil. Está na estação Jabaquara desde às 4h50. "Acho que não vai dar para trabalhar hoje. Vou perder o dia . Estou só esperando mais um pouco".

Passageiros que estavam na estação Palmeiras-Barra Funda, da Linha-3 Vermelha do Metrô, encontraram dificuldade para se deslocar para o trabalho, em razão da estação fechada. A linha está funcionando apenas entre as estações Marechal Deodoro e Penha.

Na estação Marechal Deodoro, pela manhã, os usuários pesquisaram alternativas para chegar ao trabalho.

"Vim do Tatuapé, precisava ir para a Barra Funda. Trabalho na Freguesia do Ó e não conheço essa região. Não posso faltar no serviço, mas já avisei que vou chegar tarde", disse a gerente de vendas Karen Garcia, de 39 anos.

A auxiliar administrativa Cínthya Machado da Silva, de 24 anos, acordou uma hora mais cedo e, mesmo assim, se atrasou.

"Entendo que as pessoas têm o direito de praticar a greve, mas isso atrapalha a gente. Venho do Sacomã e desço na Barra Funda. Agora, vou ter de pegar dois ônibus para chegar no trabalho."

 A Estação Portuguesa-Tietê, na linha 1-azul, ficou fechada e sem previsão de horário para voltar a funcionar. Muitas pessoas que chegam de viagem ao Terminal foram pegas desprevenidas. É o caso do administrador de empresas João Victor, de 30 anos. “Eu vim de Campinas, ia pegar o metrô para trabalhar. Fui pego de surpresa, raramente eles fecham aqui.” Com destino ao bairro Tatuapé, ele chamou um carro de aplicativo para chegar a tempo.

Nas redes sociais, o Metrô informa o funcionamento das linhas. A Linha 1-Azul funciona entre Saúde e Luz. Minha 2-Verde, entre Vila Madalena e Alto do Ipiranga. A Linha 15-Prata está paralisada. As linhas 4-Amarela e 5-Lilás têm operação normal, assim como a CPTM.

Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM), a Justiça determinou que o Metrô mantenha 100% do quadro de funcionários nos horários de pico e 80% no restante do dia, e na CPTM, 100% do quadro de servidores em todo o horário de operação. 

A Prefeitura de São Paulo voltou atrás e manteve o rodízio de veículos, assim como as restrições a veículos fretados e às zonas azuis, e informou que a situação do trânsito será monitorada durante todo o dia.

Ônibus

Em nota, a SPTrans informou que às 6h, o sistema municipal de transporte público coletivo operava com 100% das 1.207 linhas previstas para esta faixa horária, com 97% da frota de veículos em operação. Os 29 terminais municipais estão com operação de ônibus. Nenhuma operadora tem interrupção na saída da frota.

De acordo com a SPTrans, foram criadas emergencialmente as linhas Tucuruvi/Correios, operando com 7 ônibus articulados, e outra de Santana/Correios, com 7 ônibus articulados, ambas com cobrança de tarifa.

Na zona Sul, foi criada uma linha com 12 ônibus articulados para fazer o trajeto entre o Metrô Jabaquara e o Metrô Paraíso. Também com cobrança de tarifa.

Na estação João Dias, na zona sul, a circulação de ônibus é normal. 

Aeroportos e rodoviária

De acordo com a GRU Airport, as operações de embarque e desembarque estão mantidas regularmente nos três terminais de passageiros e no terminal de cargas no aeroporto de Guarulhos.  O aeroporto de Congonhas opera normalmente.

A operação de embarque e desembarque da Rodoviária do Tietê permanece funcionando normalmente, segundo a assessoria de imprensa.

Escolas

O Sindicato dos Professores da Rede Particular de São Paulo (Sinpro-SP) diz ter mapeado que a paralisação atingiu 53 escolas da capital paulista, de forma parcial ou total. Entre os colégios que tiveram as aulas interrompidas estão o São Domingos, Escola da Vila, Equipe, Cursinho da Poli, Ofélia Fonseca, Oswald de Andrade, entre outros. 

"Estamos contabilizando apenas as escolas que não tiveram aulas ou alteraram as atividades após decisão dos professores de aderir a greve. Já tivemos relatos de outras escolas que não conseguiram manter o dia normalmente em reflexo da paralisação, por causa da greve nos transportes. Mas não estamos colocando estas na lista das 53", disse Silvia Bárbara, diretora do Sinpro. 

Professores das redes estaduais e municipal de ensino de São Paulo também decidiram pela paralisação. Em nota, a Secretaria da Educação do Estado (Seduc) informou que, apenas na parte da manhã, registrou a ausência de 8,9% dos professores da rede. "A secretaria orientou que todas as escolas permaneçam abertas. Em caso de eventuais faltas, o superior imediato irá analisar a justificativa apresentada, de acordo com a legislação", disse.

O Estado questionou a Secretaria Municipal de Educação sobre o porcentual de faltas de professores, mas não obteve resposta até o meio dia.

Interior e Grande São Paulo

Em Sorocaba, os 350 ônibus que operam o transporte coletivo não saíram das garagens das empresas. Os terminais de passageiros foram fechados. Cerca de 120 mil pessoas ficaram sem o serviço. A prefeitura informou que uma liminar dada pela justiça, obrigando 70% da frota a circularem nos horários de pico, não estava sendo cumprida. Linhas de transporte intermunicipal também foram afetadas. Empresas de fretamento também retiveram os veículos nas garagens.

Em Itapetininga, os ônibus do transporte público municipal e do transporte rodoviário também pararam. Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a paralisação no transporte coletivo também foi total. Às 7 horas, nenhum ônibus havia saído das garagens. A prefeitura informou que os grevistas descumpriam determinação judicial para que um mínimo de ônibus circulasse. O transporte coletivo foi paralisado também em Taubaté e de Jacareí.

A Prefeitura de Guarulhos, por meio de assessoria de imprensa, confirmou que apenas 20% da frota de ônibus da cidade está funcionando. Estes veículos são de três empresas que atuam no município sob regime de concessão. São elas a Transurbano, a Viação Urbana Guarulhos e a Campo dos Ouros. Para suprir a demanda por transporte público, o Executivo municipal iniciou o Plano de Atendimento Entre Empresas de Transportes em Situação de Emergência (Paese), que faz o remanejamento de veículos para atender áreas com maior demanda. A frota de micro-ônibus da cidade funciona normalmente, de acordo com a Prefeitura.

Brasília

A greve geral convocada pelas centrais sindicais em protesto contra a reforma da Previdência atinge em Brasília, principalmente, serviços de transporte e educação pública. Apesar de decisões judiciais, os ônibus coletivos não circularam nesta manhã e o metrô, que já estava em greve, segue com a operação padrão nesta sexta-feira, com 75% dos trens funcionando nos horários de pico e apenas 30% nos demais horários. Algumas escolas públicas em diversas regiões administrativas no Distrito Federal também suspenderam as aulas.

Por enquanto, não há manifestação marcada ao longo do dia, mas protestos pontuais têm reunido pequenos grupos em pontos do Distrito Federal e entorno. 

Belo Horizonte

O Metrô de Belo Horizonte não funcionou na manhã desta sexta-feira, 14. O sistema de transporte público por ônibus, por outro lado, opera normalmente.

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) anunciou ter conseguido liminar no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinando o funcionamento de 100% dos trens das 5h30 às 10h e das 16h às 20h, horário de pico. A multa por descumprimento é de R$ 200 mil a ser paga pelo Sindicato dos Metroviários (Sindimetro-MG). O metrô da capital transporta cerca de 210 mil pessoas por dia. Além disso, a BHTrans, estatal municipal que administra o trânsito em Belo Horizonte, colocou ônibus extras nas estações Vilarinho, Região Norte da capital, e São Gabriel, na Região Nordeste da cidade, para suprir a demanda dos usuários do metrô.

Salvador

Os trens,que atuam no subúrbio ferroviário, assim como os ônibus não estão circulando em Salvador, apenas o metrô opera dentro da normalidade. Com isso, muita gente ficou impedida de se dirigir ao local de trabalho.

Há também bloqueio de avenidas importantes como a região da Rótula do Abacaxi e Acesso Norte, onde manifestantes impedem o acesso às vias pelos veículos, desde o início do dia. A Polícia Militar tem atuado no sentido de sensibilizar as lideranças do ato a liberarem ao menos parte das vias, possibilitando o fluxo dos veículos. 

Informação do Sindicato dos Rodoviários do Estado da Bahia é de que nenhum dos cerca de 2,7 mil veículos da frota regular deverá circular durante todo o dia. Para tentar facilitar a vida de quem precisa sair, a Prefeitura de Salvador informou ter montado um "plano B" autorizando a circulação de 300 ônibus e micro-ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC). 

Conforme diretores da Central Única dos Trabalhadores - CUT/BA, está prevista para as 15h uma caminhada, da praça do Campo Grade até a praça Castro Alves, no centro da cidade, que deverá contar com a participação o sindicato dos petroquímicos, que atuam no Polo de Camaçari, cidade vizinha a Salvador.

A previsão é de que professores de universidades públicas, servidores públicos federais e municipais, bem como bancários e comerciários, devam aderir a paralisação de hoje.

Caxias do Sul

Os professores e funcionários das escolas públicas de Caxias do Sul também aderiram à paralisação de hoje. Das 82 escolas municipais, 54 param as atividades total ou parcialmente. Já na rede estadual, das 55 instituições, 32 aderiram à greve. No entanto as escolas e universidades privadas informaram que não vão aderir ao movimento e as aulas ocorrerão normalmente. 

Porto Alegre

A Brigada Militar (BM) informa que seis pessoas foram presas em flagrante por atear fogo nos trilhos da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), em Sapucaia do Sul, na região metropolitana, na madrugada desta sexta-feira. 

Funcionários da Trensurb que foram presos ateando fogo na linha de trem em Sapucaia do Sul:

  1. Clóvis Nei Cardoso Pinheiro
  2. Lucas Corrêa Viegas
  3. João Luiz de Souza Kurkowisk
  4. Raquel Krumber da Silveira Barbosa
  5. Maria Angelica Silveira do Amaral
  6. Lourdes Noêmia Jung

A Assessoria de Imprensa confirmou ao Estado que todos são servidores da Trensurb e que “no momento, a empresa está avaliando as medidas cabíveis em relação a esses empregados”.

Os reflexos da greve desta sexta-feira, 14, também afetaram o sistema de saúde em Porto Alegre. Dos 140 postos existentes na capital, 18 suspenderam o atendimento aos pacientes e não abriram as portas. Mais de 90 mil pessoas deixaram de ser atendidas, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. 

Rio de Janeiro

Uma manifestação contra a reforma da Previdência interditou na manhã desta sexta-feira a rodovia BR-101, na altura do quilômetro 76, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. O protesto teve início às 5h, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Cerca de 25 manifestantes atearam fogo a objetos na rodovia. O tráfego de veículos foi totalmente interrompido em ambos os sentidos. Os policiais liberaram a pista ao trânsito pouco antes das 8h, mas houve congestionamento na via, que se estendeu por cerca de seis quilômetros nos dois sentidos da rodovia. 

Na capital carioca, manifestantes também fecharam avenidas.

Manifestações na capital paulista

Protestos contra a reforma da Previdência interditaram algumas avenidas da cidade de São Paulo, na manhã desta sexta-feira. Às 10h, a CET registrava 111 quilômetros de congestionamento na cidade. Às 11h, o índice era de 87 quilômetros.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), manifestantes interditaram a avenida Vinte e Três de Maio, em ambos os sentidos, junto a Praça das Bandeiras, na região central, mas a via já foi liberada. 

Por volta das 10h, manifestantes interditaram a avenida Professor Francisco Morato junto a Praça Jorge de Lima, na zona oeste.

Às 12h, a CET registrava 69 quilômetros de vias interditadas na cidade. Às 15h, o índice era de 37 quilômetros.

Ainda na zona oeste, manifestantes interditaram a rua Alvarenga em ambos os sentidos, junto a avenida Vital Brasil. Um veículo foi incendiado na via. Segundo agentes da CET, algumas pessoas foram vistas jogando gasolina no Escort. Duas foram presas. Por volta das 9h50, a via foi liberada.

O acesso ao Minhocão, sentido Penha, foi totalmente bloqueado.

A avenida Sapopemba, no sentido centro, foi bloqueada junto a avenida Arq. Vilanova Artigas.

A pista expressa da rodovia Anhanguera, sentido São Paulo, foi totalmente interrompida na altura de Campinas, entre os quilômetros 107 e 98.

Cerca de 30 manifestantes caminharam pelo acostamento da rodovia Régis Bittencourt na altura do Km 271, sentido São Paulo, em direção ao km 269, Largo do Taboão da Serra.

Por volta das 6h, manifestantes atearam fogo em pneus no início da rodovia Hélio Smidt. Segundo a assessoria de imprensa da rodovia, os manifestantes lançaram os pneus, atearam fogo e saíram do local. Às 10h, manifestantes chegaram no Terminal 1 do aeroporto de Guarulhos. A pista da rodovia começou a ser liberada. A Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil acompanharam o ato. O protesto foi encerrado e os manifestantes aguardaram os ônibus do MTST em um gramado nas imediações do Terminal 1.

Um grupo de manifestantes do Sindicato dos Eletricistas interditou uma faixa da avenida Tiradentes, sentido centro. O grupo caminha em direção ao INSS, na região central da cidade.

Na avenida dos Estados, em Santo André, um grupo ateou fogo em pneus na altura da Avenida Antonio Cardoso. Bombeiros controlaram o fogo por volta das 6h45. /Colaboraram Ana Paula Niederauer, Paula Félix, Jéssica Otoboni, Gilberto Amendola, Bianca Gomes, Isabela Palhares, José Maria Tomazela, Luciano Nagel, Heliana Frazão, Renata Okumura e Daniela Amorim.

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