Ônibus sem controle mata 3 em motos

Coletivo subiu em canteiro e atingiu duas motocicletas na contramão, na zona sul de São Paulo; motorista diz que não conseguiu frear

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2011 | 00h00

Um ônibus desgovernado bateu de frente em duas motos, matou três pessoas e feriu um motoqueiro ontem na Avenida Cupecê, em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. Nenhum dos cerca de 15 passageiros se feriu. O motorista, José Alves dos Santos, foi indiciado por triplo homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal.

O ônibus da linha 607C-10 (Jardim Miriam/Shopping Morumbi) trafegava no sentido bairro da Cupecê às 7h45, quando Alves perdeu a direção na altura do número 4.895. O coletivo subiu o canteiro central, arrebentou a grade de divisão das pistas e parou na faixa seletiva de ônibus após atingir duas motocicletas que trafegavam no corredor. A passageira que viajava na garupa da segunda moto foi projetada pelo impacto e derrubou o desempregado Jair Damasceno, de 45 anos, que dirigia uma terceira moto na outra pista.

Das quatro vítimas, apenas Damasceno sobreviveu. Ele sofreu uma lesão na perna esquerda e foi levado ao Hospital Municipal Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara, na zona sul. "Foi tudo muito rápido. O motorista tentou desviar o ônibus pra dentro (contra o gradil novamente), mas não conseguiu. Escutei o barulho e a menina que estava na garupa voou em cima de mim", disse Damasceno.

O motoboy Rodrigo Valério Coelho, de 26 anos, e sua namorada, a recepcionista Marcilene Xavier de Oliveira, de 22, morreram na hora. O almoxarife Antônio Pereira Filho, de 32, também morreu no local, após ficar preso sob o ônibus. Sua moto, uma Honda CG 150cc vermelha, era a mais destruída.

Perícia. Em depoimento, o motorista relatou que a trava que permite ajustar a distância do assento ao volante se soltou repentinamente quando tentava engatar a marcha. Segundo seu advogado, Júlio Cesar Neves, Alves disse ter sido projetado para trás e, preso pelo cinto, não teria alcançado o freio a tempo.

Peritos e o delegado assistente do 43.º DP (Cidade Ademar), Aloízio Pires de Araújo, fizeram testes preliminares no local. Sentaram ao volante e puxaram a alavanca para afastar e aproximar o banco. A trava funcionou normalmente, mas eles não descartam que o equipamento possa ter falhado.

Segundo o delegado, já estão descartadas hipóteses de imperícia - Alves é habilitado há 23 anos - e imprudência - o tacógrafo, equipamento que monitora a velocidade, mostrou que a máxima variou entre 45 e 50 km/h, o permitido na faixa seletiva da Cupecê. Na quinta-feira, será feita uma perícia mecânica no coletivo para verificar se o sistema de trava do banco do motorista falhou ou se houve negligência do condutor.

PARA LEMBRAR

Motociclistas morrem mais

O Relatório de Acidentes de Trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)de São Paulo divulgado no fim de abril mostra que as mortes de motociclistas aumentaram no ano passado e atingiram o recorde na cidade: foram 478 vítimas, 35,2 % de todos os mortos no trânsito paulistano. O número significa um aumento de 11,7% em relação a 2009, quando foram registradas 428 mortes. A pesquisa aponta também que 14,9% das colisões que resultam em morte no trânsito envolvem motocicletas e ônibus. O índice é superado apenas por batidas de moto e carro (41,8%). A Avenida Cupecê teve quatro acidentes fatais no ano passado.

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