Ônibus: nº de usuários aumenta, frota não

Para especialistas, velocidade média é mais importante que a quantidade de veículos

CAIO DO VALLE / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h03

O número de passageiros transportados nos ônibus da cidade não para de subir: entre 2007 e 2011, cresceu 7,6%, o que representa 570 mil pessoas a mais na média diária (veja ao lado). Apesar do aumento, o tamanho da frota segue praticamente igual - em torno de 15 mil coletivos. E, mesmo subsidiada pela Prefeitura, a tarifa aumentou 30% no mesmo período.

Quem usa uma das linhas mais cheias da rede - entre o Terminal Campo Limpo, na zona sul, e a Praça Ramos de Azevedo, no centro - reclama da lotação. "Como tem mais gente usando, já é quase impossível viajar sentado, especialmente nos fins de semana", afirma o porteiro Ailton Fausto, de 29 anos. Já o professor Thiago Mendes, de 36, diz que chega a ter de esperar cinco ônibus para conseguir embarcar. "Deveriam pôr mais ônibus para rodar", afirma.

Especialistas em transportes concordam apenas em parte com essa reivindicação. Para eles, a construção de corredores exclusivos facilitaria o deslocamento de coletivos, tornando as viagens mais rápidas e eficientes. Por sua vez, o aumento da frota pouco faria para solucionar o problema.

"Seria colocar mais veículos para rodar em um sistema viário já saturado. Pode até ser que o conforto melhore, mas o tempo de viagem aumentaria", diz Jaime Waisman, professor de Engenharia de Transportes da Universidade de São Paulo.

Segundo ele, as pessoas tendem a valorizar a rapidez dos deslocamentos em detrimento do conforto - isso ajuda a explicar a preferência pelo metrô, inclusive em horários de pico, quando estações e trens ficam lotados. Por isso, a velocidade média dos ônibus é mais importante do que a quantidade de veículos em circulação: andando mais depressa, cada veículo poderia levar um número maior de pessoas.

Waisman pondera que o crescimento do número de passageiros nos ônibus durante os últimos cinco anos pode ser explicado pelo aumento da população e aquecimento da economia. "Tem mais gente usando ônibus para trabalhar, estudar, fazer compras, usar o posto de saúde."

A assistente de mídia Patrícia Madruga, de 32 anos, diz que é mais vantajoso ir de ônibus que de carro. "Existe lotação, mas ainda sai mais barato."

Metrô. Para Sergio Ejzenberg, mestre em Engenharia de Transporte, é necessário que a Prefeitura fiscalize com mais rigor a circulação dos ônibus, para constatar se empresas respeitam os horários. Mas ele avalia que, a longo prazo, a solução é o metrô. "Para o tamanho e a demanda da cidade, ônibus não dão conta. Devem ser auxiliares."

A São Paulo Transporte (SPTrans) informou que está investindo na renovação da frota" e trabalha "para aumentar em 15% a velocidade média dos ônibus". Segundo a empresa, isso "equivale à inclusão de 2.250" veículos à frota, que no mês passado era de 14.908 veículos.

Entre 2009 e 2011, continua a SPTrans, a oferta de lugares em horários de pico cresceu 4,6% - mais do que o número de passageiros no período (2,4%). Já o total de pessoas transportadas saltou de 2,87 bilhões para 2,94 bilhões e o de lugares, de 532 mil para 557 mil.

Isso ocorreu, segundo a empresa, porque 80% da frota foi renovada e ganhou veículos maiores, ampliando a oferta de lugares disponíveis. Essa ampliação, porém, não contabiliza só assentos, mas espaços para quem viaja de pé.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) informou que os 8,4 mil ônibus da frota concessionada são novos e de maior capacidade. Além disso, "as empresas investem na aquisição de ônibus modernos" para que "o desconforto seja cada vez menor".

Waisman, porém, critica alguns modelos de ônibus, como os articulados. "Sacolejam muito, porque são feitos para circular em corredores, mas aqui rodam em todo lugar."

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