Ônibus fica só 1 km/h mais rápido com faixas

Estudo fez medição nos períodos de pico; especialistas sustentam que a situação do sistema só vai melhorar com a construção de corredores

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Aposta da gestão Fernando Haddad (PT) para melhorar a qualidade dos ônibus, as faixas exclusivas à direita em grandes vias de São Paulo elevaram a velocidade dos coletivos em apenas 1 quilômetro por hora. Dados da São Paulo Transporte (SPTrans) indicam que, no ano passado, quando houve o “boom” das faixas após as manifestações de junho, os ônibus rodaram a 17 km/h no horário de pico da manhã, ante 16 km/h nos três anos anteriores. À tarde, a média foi de 16 km/h - entre 2009 e 2012, era de 15 km/h.

Para o engenheiro especializado em Trânsito e Transportes Alexandre Zum Winkel, a maioria dos ônibus não foi beneficiada pelas faixas exclusivas. “Em alguns trechos onde fizeram as faixas, houve um grande ganho. Mas, em outros, a velocidade dos ônibus caiu porque o trânsito piorou e lá esses veículos sofrem tanto quanto carros na lentidão.”

O reflexo do trânsito é sentido por motoristas de carros. O publicitário Herber Lima, de 33 anos, por exemplo, diz que as faixas exclusivas foram instaladas a esmo na cidade. “A faixa é necessária, mas foi mal implementada. No centro, tem ônibus na faixa da esquerda e na faixa exclusiva da direita”, afirma. Ele se refere ao que acontece no Viaduto Dona Paulina, na Praça da Sé, onde o elevado tem coletivos dos dois lados, sobreposição de linhas e trânsito.

A proposta de Haddad era instalar 150 km de faixas exclusivas - hoje, a cidade já tem 333,1 km. Diante dos números, a SPTrans informa que há casos de faixas em que o desempenho dos ônibus ficou bem acima da média geral da cidade. Na Radial Leste, entre julho e o mês retrasado, a velocidade dos coletivos no sentido centro foi de 27,5 km/h. No rumo oposto, de 25,8 km/h. Na Marginal do Tietê, os ônibus trafegam a 28,9 km/h no sentido Rodovia Ayrton Senna, em uma faixa inaugurada em junho do ano passado.

Quem se beneficia das faixas comemora. O auxiliar de logística Willians da Rocha, de 33 anos, que mora em Cangaíba, na zona leste, aprova a canaleta exclusiva da Avenida Celso Garcia. “Antes, eu demorava 1h20 para chegar ao Parque d. Pedro. Agora, são 45 minutos. Tem de ter faixa na cidade inteira, eu acho.”

 

 

Corredores. Além de faixas exclusivas, uma das principais soluções apontadas por especialistas são os corredores - faixas à esquerda e totalmente segregadas. Winkel argumenta que, com a construção de novos corredores, a rapidez dos coletivos aumentará. Avenidas como a Radial Leste, a 23 de Maio e a Bandeirantes estão cotadas para recebê-los. 

“Implementar corredores nessas vias será uma solução muito boa, o que apresentará resultados significativos depois na velocidade média dos ônibus da cidade”, diz. A gestão Haddad promete entregar 150 km de novos corredores até o fim de 2016.

Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), concorda e diz que os corredores, até mesmo os nove atuais, caso passem por melhorias, podem ajudar a resolver a questão da velocidade. Apesar dos número da SPTrans, ele alega que até a expansão das faixas poderá beneficiar o desempenho dos coletivos.

“Dos 17 mil km de vias na cidade, há 4 mil km por onde passam ônibus. Desse total, os coletivos têm prioridade com faixas exclusivas em 8%. Nos demais 92%, na mistura com o trânsito geral, há evidente diminuição da velocidade”, diz Néspoli. / COLABOROU RAFAEL ITALIANI

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