Ônibus em SP são mais lentos que maratonistas

Rumo ao centro, velocidade nos corredores só aumentou 1,8km/h no ano passado

ADRIANA FERRAZ, BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2012 | 03h04

Sem receber investimento em obras de modernização nem de expansão, a velocidade nos corredores de ônibus da capital estagnou no ano passado. Na média, a velocidade dos coletivos nas faixas exclusivas foi de 15 km/h. Na comparação com 2010, os ramais no sentido centro registraram ganho de apenas 1,8 km/h. No sentido contrário, a alta foi ainda mais discreta: 0,8 km/h. A velocidade é um pouco menor do que a de um maratonista olímpico.

Os dez corredores de ônibus da capital transportam 3,2 milhões de pessoas por dia e superam em 1 milhão o movimento de todas as linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Expandir a rede é promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que se comprometeu a construir 68 km de faixas exclusivas até dezembro de 2012. A oito meses do fim da gestão, nenhum foi entregue. A requalificação de 38 km também ficou no papel.

Dependendo do trajeto e do horário, são necessárias mais de duas horas para percorrer 17 km. Por volta das 18h30 da terça-feira, por exemplo, os usuários demoravam 2 horas e 13 minutos para ir do Campo Limpo, na zona sul, ao centro, pelo terceiro corredor mais movimentado da cidade, que passa pela Avenida Rebouças, e recebe cerca de 388 mil pessoas por dia. No sentido inverso, pelo menos 1 hora e 19 minutos de espera no ônibus. A velocidade variava de 8 a 12 km/h, segundo a Prefeitura.

Mas o trânsito carregado não é o único desafio enfrentado pelo usuário do transporte coletivo em São Paulo. Dependendo do horário, demora-se mais esperando pelo ônibus do que dentro dele. A fila passa de uma hora e meia nos horários de pico, principalmente nos corredores saturados - desde segunda, é possível conferir o tempo estimado no site da Prefeitura.

Dados da Secretaria Municipal de Transportes mostram que a menor velocidade média entre os dez corredores está no ramal que passa pela Avenida Inajar de Sousa, na zona norte. No ano passado, a média foi de 11,6 km/h no sentido centro. A faixa exclusiva requer obras de requalificação, como troca do asfalto - que tem buracos e falhas na sinalização -, acesso mais seguro aos passageiros e modernização das paradas.

Já a maior velocidade máxima registrada em 2011 ocorreu no Corredor Parelheiros-Santo Amaro, na zona sul. O ramal obteve média de 20,96 km/h, no sentido centro. Na mesma região, o ramal Jardim Ângela-Guarapiranga conseguiu um ganho de 2,3 km/h na velocidade média após a Prefeitura implementar uma faixa reversível no trecho.

Soluções pontuais, como a ampliação de 10 km na faixa exclusiva para ônibus na Radial Leste, ou a criação de horários prioritários para ônibus, como na Rua Borges Lagoa, costumam funcionar, mas momentaneamente. O que São Paulo precisa, segundo especialistas em transporte, é de mais corredores exclusivos. As obras são reivindicadas até pelo Estado, que enfrenta problemas recorrentes nas linhas da CPTM - e as falhas levam mais passageiros aos ônibus.

Outro lado. Procurada, a Secretaria Municipal de Transportes listou outras políticas para aumentar a qualidade: renovação da frota, aumento do número de lugares e cumprimento de horários de partidas programadas. Hoje, segundo a pasta, 96% das operações ocorrem na hora marcada e, desde janeiro de 2005, 83% da frota foi trocada.

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