Caio do Valle/Estadão
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Ônibus da Santa Brígida deixam garagem após intervenção da PM

Veículos que tentavam deixar local foram apedrejados por motoristas e cobradores favoráveis à paralisação

Caio do Valle, Laura Maia de Castro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 10h28

Atualizado às 14h15

SÃO PAULO - Num clima de tensão, ônibus da empresa Santa Brígida começaram a deixar a garagem da viação, na zona norte, por volta das 9h desta quinta-feira, 22. Três veículos articulados chegaram a ser apedrejados por funcionários paralisados e tiveram que retornar. A Polícia Militar interveio.

Depois de uma negociação do diretor de operação da Santa Brígida, Danilo Alves dos Santos, os grevistas permitiram a saída de veículos às 9h55.

Ele explicou que a empresa poderia sofrer consequências, como o descredenciamento e a sua exclusão da operação de linhas pela São Paulo Transporte (SPTrans) em caso de continuidade da paralisação. A Santa Brígida tem cerca de 3 mil motoristas e cobradores e 830 ônibus.

Até por volta das 11h20, cerca de 200 ônibus já haviam deixado a maior garagem da empresa Santa Brígida, no Jaguara, na zona norte. Da outra garagem, Mangaló, também na zona norte, saíram 30 veículos. Na garagem do Jaguara, há um total de 555 ônibus e na outra, 275. A liberação dos ônibus começou por volta das 9h55, após um tumulto na porta do maior estacionamento.

A empresa estima que levará ainda cerca de uma hora e meia para que os 75% de ônibus da frota, uma determinação judicial, saia dos pátios. Contudo, ainda há um grupo de motoristas e cobradores em greve.

Depredação. Mesmo com o apoio da PM, pelo menos 40 ônibus municipais foram depredados por motoristas e cobradores favoráveis à paralisação, entre a manhã e o início da tarde desta quinta-feira, em São Paulo, segundo a Secretaria Municipal de Transportes. A São Paulo Transporte (SPTrans) registrou desde veículos que tiveram retrovisores e vidros quebrados até casos em que as portas foram destruídas e os pneus furados.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SPUrbanuss), afirmou que a quantidade de carros danificados pode aumentar. Segundo a entidade, entre e quarta-feira e quinta-feira, 61 veículos da empresa Sambaíba foram depredados.

Na manhã desta quinta-feira, o secretário municipal de Transporte, Jilmar Tatto, conversou por telefone com o comandante geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, para saber como estava a operação do transporte coletivo e se havia registro de paralisações em terminais de ônibus de São Paulo.

De acordo com um funcionário da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), sete ônibus tiveram os pneus esvaziados por piquetes na Avenida Inajar de Souza, na zona norte, nesta quinta-feira. Na altura do número 1145, no sentido centro, dois homens em uma moto abordaram um ônibus da Gato Preto que seguia da Brasilandia à Praça do Correio com passageiros por volta das 8h40.

"A moto encostou na minha janela e um dos homens falou para eu tirar a mão do volante e ficar tranquilo. Depois eles esvaziaram o pneu do lado esquerdo e foram embora", contou o motorista. Segundo o cobrador, o ônibus estava completamente lotado até mesmo com idosos. "Acho que eles nao ficaram com medo, mas sim frustrados de não poderem seguir viagem".

Um veículo da Sambaíba também teve o pneu esvaziado na Inajar de Souza. Segundo o motorista que seguia do Terminal Cachoeirinha ao centro, dois homens em uma moto esvaziaram o pneu do ônibus enquanto ele estava parado no semáforo. Segundo ele, o coletivo estava cheio de passageiros, que tiveram de desembarcar. Às 11h, o veículo ainda aguardava a equipe de manutenção para trocar o pneu.

Insatisfação. Os motoristas e cobradores da empresa Santa Brígida que permanecem paralisados se dizem muito insatisfeitos com a condução da campanha salarial pelo sindicato que os representa. Por isso, há um movimento entre esses trabalhadores para se desvincular da entidade representativa. A reportagem do Estado conversou com alguns desses profissionais. Eles disseram ter votado no ano passado na chapa da atual administração, encabeçada por José Valdevan, o Noventa, que se elegeu presidente.

"Quando vieram nos pedir votos, nos prometeram o mundo. Prometeram 20% de aumento do salário, mas aprovaram só 10%. Prometeram R$ 22 de cota diária do vale-refeição, mas se contentaram com os R$ 16,50 que os patrões ofereceram. Por isso, não queremos que ninguém mais do sindicato entre aqui na garagem", disse um cobrador da Santa Brígida que se identificou como Silva.

Um motorista disse que uma das propostas avaliadas pelo grupo é entrar com uma ação coletiva contra o sindicato para os interessados pararem de pagar a contribuição assistencial, cobrada mensalmente e que iria para a entidade representativa. Cada motorista paga R$ 44,97 e cada cobrador, R$ 25,99. "Queremos entrar na Justiça para isso deixar de ser obrigatório", afirmou um condutor que não se identificou.

Também havia entre os grevistas um boato de que outro sindicato poderia ser criado, mas a alternativa era tratada sem muito entusiasmo.

Apesar de descontentes com a gestão de Noventa, os grevistas disseram que a administração anterior, de Isao Hosogi, o Jorginho, "era pior", sugerindo que eles não estão vinculados a setores dissidentes do sindicato.

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