Ana Paula Lima
Ana Paula Lima

Ônibus bate em 12 carros e interdita a Paulista

Motorista perdeu o freio, arrastou veículos e só parou no canteiro; ninguém se feriu

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 13h04

Atualizado às 20h50
SÃO PAULO - A Avenida Paulista, na região central de São Paulo, ficou ao menos cinco horas interditada, das quais três totalmente, após um ônibus desgovernado atingir 12 veículos e ficar parado em um canteiro da via. Segundo a polícia, o motorista informou que perdeu o freio e que não estava em alta velocidade. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.
O acidente aconteceu às 12h30 desta terça-feira, 24, na altura da Rua Haddock Lobo, no sentido Paraíso. Segundo testemunhas, o coletivo da linha 874C-10 (Parque Continental-Metrô Trianon) saiu do túnel José Roberto Fanganiello Melhem, que liga as Avenidas Doutor Arnaldo e Paulista, e foi arrastando os carros.
“Estava parado e senti o primeiro chacoalhão, depois o ônibus bateu na traseira do meu carro. Acho que o acelerador estava travado, ele passou voando”, disse o professor Antônio Mário Cunha, de 55 anos, que estava a caminho do trabalho. O seu veículo, um Volkswagen Jetta, teve parte da traseira arrancada.
Outro ônibus que passava pela avenida foi atingido por um táxi. “O ônibus veio empurrando todo mundo e um táxi bateu na lateral. Ele veio buzinando e conseguiu parar em cima do canteiro. Ele conseguiu evitar coisa pior”, disse o motorista José Luciano Rocha, de 51 anos, da linha 150P-10 (Metrô Santana-Metrô Ana Rosa). Rocha contou que havia cerca de 50 passageiros no veículo que conduzia e que eles se desesperaram no momento do acidente. “Foi uma gritaria só. O pessoal ficou apavorado, mas ninguém se machucou.”
O motorista Arley Ferreira Mendes, de 39 anos, já tinha encerrado seu expediente e voltava para casa quando seu veículo foi atingido. “Quando abriu o farol, segui por cinco metros e vi, pelo retrovisor, o ônibus arrastando vários carros. Ele arrastou meu carro por 20 metros.” Mendes sofreu um arranhão na mão esquerda. “Meu carro virou ao contrário, fiquei na contramão. Eu me desesperei e coloquei a mão na porta. Foi assim que me machuquei, mas foi pouco. Deus me salvou.”

Os danos foram leves no veículo do consultor técnico comercial Fabiano Mascarenhas, de 39 anos. Ele disse que se deslocava para o Hospital Beneficência Portuguesa quando houve a colisão. “Eu estava vindo da Rebouças. Ainda joguei o carro (para desviar), mas o ônibus veio muito rápido.”
A estudante de Direito Paula Zarro, de 21 anos, afirmou que demorou a entender as proporções do acidente. “Pensei que era um carro batendo atrás de mim, mas vi que os carros começaram a bater. Bati a cabeça e o joelho. Foi um susto.” Paula pretende entrar na Justiça para tentar ressarcimento.
“O motorista disse que faltou freio e que ele começou a colidir com vários veículos. Ele afirmou que bateu no canteiro para parar e disse que não estava em alta velocidade. Se estivesse rápido, não teria conseguido parar aqui”, afirmou o cabo da Polícia Militar Roberto Nelo, que fez o registro da ocorrência.
Operação. Logo após o acidente, houve congestionamento na região e, para remoção dos carros, duas faixas da Avenida Paulista foram interditadas. Por volta das 14 horas, toda a via foi fechada no sentido Paraíso para a retirada do coletivo. A operação foi complexa e demorou pouco mais de três horas.
Inicialmente, um guincho tentou puxar o ônibus, mas a parte de trás permaneceu presa ao canteiro. Depois, foi necessário utilizar outro guincho para soltar o coletivo, que foi completamente removido por volta das 17h20, sob aplausos dos curiosos que estavam aglomerados na calçada.
“Eu vim depois de sair do trabalho. O pessoal que trabalha comigo comentou. Faz uma hora e meia que estou observando. É difícil ver um acidente assim perto do trabalho. Geralmente, a gente só vê isso pela televisão”, disse o contínuo Gustavo de Souza Araújo, de 24 anos. Araújo afirmou também que ficou com medo. “Preocupa ver um acidente assim. Eu costumo andar de ônibus.”
Em nota, a São Paulo Transporte (SPTrans) informou que vai acompanhar as investigações. Por meio do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), a Viação Gato Preto lamentou o acidente e afirmou que o coletivo estava “com a manutenção rigorosamente em dia”. Informou ainda que todos os operadores “passam por treinamentos de direção segura e defensiva”.
Mais conteúdo sobre:
Avenida PaulistaSão PauloCET

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.