Ônibus arrasta carro no Campo Belo e mata dois

Empresário suíço e funcionária morreram no local; motorista do coletivo foi indiciado por homicídio, pois sabia que semáforo estava quebrado

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h04

Um semáforo quebrado e um ônibus que estaria em alta velocidade causaram a morte de duas pessoas ontem à tarde no Campo Belo, zona sul da capital. As vítimas estavam na Rua Diógenes e tentavam atravessar a Avenida Vereador José Diniz. No cruzamento, o veículo delas foi atingido por um ônibus biarticulado que passava pelo corredor. O carro virou, ficou embaixo do coletivo e foi arrastado por 9 metros. O motorista do ônibus foi indiciado por homicídio doloso (com intenção).

O impacto da batida foi tão forte que nem os seis airbags do Mitsubishi ASX conseguiram proteger as vítimas. O empresário suíço Alfred Schorno, de 67 anos, e a funcionária dele Anna Camilla Nyarady, de 57, morreram na hora. Dono de um estacionamento na Rua Diógenes, o empresário Leonardo Gragnano, de 38 anos, presenciou a cena.

O carro das vítimas havia chamado a atenção dele por aparentar ser muito novo. "Fui seguindo o carro com os olhos. Ele reduziu no cruzamento, não chegou a parar, e seguiu para atravessar a avenida. Nisso, o ônibus veio 'chutado' (muito rápido). Posso estar enganado, mas não ouvi o ônibus freando. E acho que ele deveria ter feito isso porque o semáforo estava em amarelo piscante", disse Gragnano.

Em depoimento, o motorista Jonas Santana da Silva, de 26 anos, admitiu que sabia que o semáforo não estava funcionando, pois havia passado pela Vereador José Diniz no sentido contrário. "Ele deveria redobrar o cuidado, mas passou em alta velocidade. O motorista assumiu o risco de se envolver no acidente, por isso, foi indiciado", disse o delegado do 27.° DP, João Paulo Cerqueira Carvalho.

A velocidade máxima permitida nos corredores de ônibus é de 50 km/h. O tacógrafo do ônibus mostrava que, no momento da batida, ele estava a 47 km/h. Segundo o delegado, os peritos notaram que havia marcas de frenagem na pista a 20 metros do local em que o carro parou, o que indicaria que a velocidade inicial era maior do que a última registrada no tacógrafo.

O advogado de Jonas, Júlio César Fernandes Neves, garante que o motorista estava dentro da velocidade permitida. "Ele não tinha intenção de causar a morte de ninguém. Acho que o delegado exagerou no indiciamento. Vou reclamar na Corregedoria."

CET e SPTrans. A CET informou que está verificando "o que ocorreu com o semáforo". Às 20h30, o aparelho funcionava normalmente. A SPTrans informou que os motoristas envolvidos em qualquer acidente são afastados preventivamente "até que sejam verificadas as razões do ocorrido".

1.Como aconteceu o acidente? Foi uma coisa de filme. O ônibus parecia um trem-bala, de tão rápido. Posso estar enganado, mas não ouvi som de freada nem derrapada. O ônibus simplesmente subiu no carro. E não sei como o acidente não foi pior. O ônibus estava cheio de passageiros. Só vi a cabeça das pessoas que estavam dentro do ônibus indo para frente e para trás.

2.Você tentou prestar socorro? Eu saí correndo na hora. Não sabia quem estava no carro, se era algum idoso ou se tinha cadeirinha de criança. Na hora que vi as vítimas, fiz o sinal da cruz e pensei: "Isso é com os bombeiros e com Deus." A cena era impressionante.

3.Você acha que o motorista do ônibus errou? Ele estava muito veloz. E tem outra coisa: se estou dirigindo e vejo um farol com amarelo piscante, já começo a reduzir, mesmo que eu esteja na preferencial, porque sempre fica uma indecisão. Ele não fez isso.

4.Você sabe quando o semáforo quebrou? Esse semáforo vive quebrado. Faz um ano que noto que todo mês ele para de funcionar. É confusão ali direto. Já aconteceram até outros acidentes menores, mas nunca um como esse. /T.D.

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