ONGs e especialistas destacam importância do acesso à informação

Museus deveriam oferecer maior variedade de materiais informativos sobre as obras de arte, dizem

Breno Pires e Danielle Villela,

26 de abril de 2013 | 16h13

SÃO PAULO - Especialistas em acessibilidade e ONGs que atuam com portadores de necessidades especiais ouvidos pelo Estado destacam os avanços alcançados em acessibilidade nos espaços culturais de São Paulo, mas defendem a realização de mais iniciativas voltadas ao acesso à informação.

Para Carla Mauch, coordenadora técnica da Mais Diferenças, organização da sociedade civil de interesse público com atuação em educação e cultura inclusivas, as políticas públicas de acessibilidade cultural são muito focadas nos aspectos arquitetônicos. "Pensar em acessibilidade cultural também é pensar em possibilidades diferentes de fruição da cultura para todos os públicos", afirma.

Levantamento realizado pelo Estado nas dez unidades da rede estadual aponta que apenas a Pinacoteca, o Museu do Futebol e o Museu da Casa Brasileira possuem um conjunto de materiais complementares para auxiliar pessoas com deficiências mentais, visuais, auditivas e físicas na compreensão das obras de arte exibidas.

Entre os elementos que deveriam ser incorporados nas exposições dos museus como recursos de acessibilidade, Carla cita dispositivos digitais como audioguias e videoguias, materiais em Braille, além de profissionais capacitados para fazer audiodescrições das obras ou visitas guiadas através da língua brasileira de sinais (LIBRAS). "Sem desrespeitar as questões museológicas, precisamos pensar como pessoas que não têm acesso direto à informação podem ter outras releituras", completa.

Ouça a entrevista com Carla Mauch.

Andrea Passarelli, presidente da ONG Transformar, defende a importância da identificação das especificidades de cada deficiência. "Cada um tem as suas necessidades, sejam pessoas com deficiência ou não", comenta. Atendendo a grupos com disfunção neuro motora, a ONG Transformar já promoveu visitas à Pinacoteca, Museu Afro Brasil e Itaú Cultural, entre outros espaços culturais da capital paulista. "A paralisia cerebral é uma disfunção neuro motora e não intelectual, portanto devem ser respeitadas suas necessidades, seu ritmo, sua maneira de comunicação e buscar a melhor maneira de integração", afirma.

Autonomia - Além das visitas guiadas e dos orientadores habilitados, Viviane Sarraf, especialista em acessibilidade cultural e fundadora da Rede de Informação de Acessibilidade em Museus (Rinam), alerta que os museus devem oferecer ferramentas para que o portador de necessidades especiais possa fazer a sua visita de forma independente.

Ouça a entrevista com Viviane Sarraf.

 "Os recursos que promovem a autonomia, como audioguias e videoguias em LIBRAS, são fundamentais para garantir o direito de opção da pessoa e para garantir a sustentabilidade da acessibilidade no modus operandi do espaço cultural", pontua. Nos museus visitados pela reportagem, a recomendação é que o portador de deficiência auditiva faça o agendamento prévio da visita. De modo geral, as instituições dispõem apenas de um educador habilitado em LIBRAS em suas equipes educativas, por exemplo.

"Para atender a essa demanda de público diverso é preciso ter uma mudança de entendimento de que a comunicação cultural não precisa ser restritiva a uma capacidade somente visual e intelectiva", analisa.

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