Onde ver cinema mudo na cidade

MIS, Cinemateca e Museu Lasar Segall são boas pedidas para quem se encantou com 'O Artista' e 'A Invenção de Hugo Cabret' e quer saber mais

Valéria França, O Estado de S.Paulo

04 Março 2012 | 03h04

Quem viu e se encantou com os dois grandes ganhadores do Oscar 2012 que fazem homenagem ao início do cinema - O Artista e A Invenção de Hugo Cabret - tem como se aprofundar no assunto. Em São Paulo, há bibliotecas com livros e revistas históricas, além de mostras que reproduzem fielmente sessões de cinema no começo do século 20.

Como os filmes não tinham som, as salas costumavam receber músicos, às vezes orquestras inteiras, enquanto a película era passada na tela. "Tem muita gente que não tem ideia de como isso acontecia", diz André Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), no Jardim Europa, zona sul. "Por isso montei o Cinematographo, um projeto de filmes mudo com música ao vivo. " A sessão especial ocorre uma vez por mês, sempre em um domingo, às 16 horas.

O projeto permite certas experimentações. A deste mês, por exemplo, será desafiadora - no dia 11, espectadores poderão assistir ao musical Mágico de Oz, mas sem o som original. Na sessão, a banda Pink Floyd Cover apresentará músicas do álbum The Dark Side of The Moon, o mais famoso do grupo original. O som será sincronizado com o filme clássico do diretor Victor Fleming. "Corre de boca em boca a lenda que Pink Floyd criou esse disco pensando no filme. Ninguém sabe se é verdade, mas as músicas encaixam perfeitamente com O Mágico de Oz", explica Sturm.

Em 15 de abril, será exibido um clássico do terror alemão, O Gabinete do Dr. Caligari, de 1911, com a presença de uma banda eletroacústica.

Cinemateca. Vale também ficar de olho na programação da Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, também zona sul. Há seis anos, a instituição organiza em agosto a Jornada de Cinema Silencioso, mostra de quase uma semana dedicada a filmes produzidos entre o fim do século 19 e aproximadamente 1930, quando a chegada do som modificou os rumos da arte cinematográfica.

No ano passado, o tema foi a produção italiana, que despontou em 1910. A mostra comemorou o centenário da chegada ao Brasil do cinegrafista italiano Gilberto Rossi. Sua bisneta, a pianista Anna Claudia Agassi, tocou durante a apresentação de Fragmentos da Vida, com fotografia do bisavô e direção de José Medina. "Escolhi pessoalmente as músicas. Foi muito emocionante", conta Anna Claudia.

O site da Cinemateca (www.cinemateca.com.br) relaciona cerca de 5 mil filmes mudos. No banco de dados, há informações sobre títulos produzidos de 1897 a 1911, mas nem todos estão no acervo da instituição. Em 2002, a Cinemateca montou um grupo de pesquisadores para organizar esse arquivo.

"Localizamos e recolhemos com colecionadores e distribuidores antigos cerca de 10% do que foi produzido no Brasil", diz Carlos Roberto de Souza, professor de História do Cinema e curador da Jornada Silenciosa. "Exibir esse material é uma forma de lembrar a história do cinema. E de lembrar que, além de entretenimento, cinema é arte."

Para quem quer pesquisar mais sobre o tema, uma boa dica é a biblioteca do Museu Lasar Segall, também na Vila Mariana, conhecido por ter um dos maiores acervos sobre o cinema. Pelo próprio site da instituição (http://www.bjksdigital.museusegall.org.br) é possível ver edições completas de revistas digitalizadas, que são verdadeiros registros do cinema de época. Uma delas é A Scena Muda, publicada no período entre1921 e 1955.

'American way of life'. A revista mostrava as notícias de Hollywood, a moda entre as atrizes da época e a publicidade dos filmes em cartaz. Também era um meio de disseminar a ideologia americana.

Também dá para ler no site a revista de época Cinearte. Fundada em 1926 no Rio, a publicação procurava chamar atenção para a produção nacional. Encerrou sua circulação em 1942, após 561 edições. Os originais se encontram preservados na biblioteca do museu.

MIS: AVENIDA EUROPA, 158, JARDIM EUROPA; (11) 2117-4777 CINEMATECA BRASILEIRA: LARGO SENADOR RAUL CARDOSO, 207, VILA MARIANA;

(11) 3512-6111 MUSEU LASAR SEGALL: RUA AFONSO CELSO, 362, VILA MARIANA; (11) 5572-3586

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