Oito PMs são acusados de 2 execuções

Bico dos policiais em concessionária de automóveis estaria por trás de morte em Osasco; 4 outros agentes tiveram prisão pedida

MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2011 | 03h04

Oito policiais militares são acusados de fraudar dois casos de resistência seguida de morte em São Paulo. Quatro integrantes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foram presos pela Corregedoria da Polícia Militar e quatro homens de um batalhão da capital, entre eles um tenente, tiveram a prisão pedida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) à Justiça. Um terceiro caso suspeito envolvendo a Rota está sob apuração.

O bico, o trabalho informal como segurança, estaria por trás do primeiro dos casos, o que levou à prisão quatro homens da Rota. Os policiais do batalhão foram presos sob a acusação de executar, no dia 27, o trabalhador autônomo Paulo Alberto de Oliveira Jesus, de 26 anos.

Pela versão dos policiais, eles teriam recebido uma denúncia anônima de que Jesus estaria guardando armas usadas em um roubo de carga em sua casa, no Jardim Elvira, em Osasco, na Grande São Paulo. A denúncia, no caso, teria sido uma fraude montada pelos policiais.

As investigações da Corregedoria da PM apontam que um grupo de policiais da Rota e do serviço reservado da corporação fazia bico como segurança em uma grande rede de concessionárias de veículos da marca Fiat. No fim de semana, uma quadrilha invadiu uma das lojas da rede e roubou uma carga de pneus avaliada em R$ 1 milhão.

As primeiras suspeitas recaíram em cima de um policial que fazia bico na loja, no dia em que os ladrões agiram. Depois, surgiu o nome de Oliveira Jesus - a Corregedoria quer saber como. A suspeita é de que os policiais da 3.ª Companhia da Rota teriam forjado a denúncia anônima contra a vítima para justificar o envio do carro da Rota à casa de Oliveira em Osasco. A vítima teria recebido os PMs na porta.

Testemunhas. A primeira testemunha a denunciar a ação dos policiais apareceu no mesmo dia. Era um amigo da vítima - ele se tornou uma testemunha protegida. O homem contou que a vítima teria dito aos policiais da Rota que era inocente, que não havia participado de roubo algum, mas os PMs o teriam executado mesmo assim. Na tarde de ontem, a Corregedoria da PM enviou ao DHPP um grupo de testemunhas para serem ouvidas.

Depois da morte de Oliveira de Jesus, os moradores do Jardim Elvira bloquearam ruas e queimaram pneus em protesto contra a ação dos homens da Rota - a família da vítima prepara outro protesto. Ontem, o comandante-geral da PM, coronel Álvaro Camilo, anunciou a prisão dos quatro policiais que participaram diretamente da ação em Osasco - os policiais que teriam fraudado a queixa e os que trabalham no bico na concessionária ainda estão sob investigação.

Outros casos. Além do caso do bico, um outro sob suspeita de fraude envolve policiais da Rota. Trata-se da morte de três acusados de roubar um posto de gasolina na Avenida Rebouças, na zona sul. O crime aconteceu há 20 dias. Apenas um dos acusados estaria armado na hora do roubo, mas os homens da Rota apresentaram três armas que dizem ter achado com os assaltantes.

Em outro episódio, quatro homens de um batalhão do Comando de Policiamento da Capital (CPC) estão sendo acusados de fraudar um caso na zona norte. Eles teriam simulado um tiroteio para justificar a morte de um homem. O DHPP concluiu a apuração e pediu a prisão dos policiais ao 2.º Tribunal do Júri. /COLABOROU CAMILLA HADDAD

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