Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

PM entra em confronto com usuários na Cracolândia e prende 10

Segundo a polícia, homens arrombavam e saqueavam lojas da região; um policial ficou ferido e foi encaminhado à Santa Casa

Fabiana Cambricoli e Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2017 | 07h29
Atualizado 18 Janeiro 2017 | 22h23

SÃO PAULO - Um confronto entre dependentes químicos e policiais militares na Cracolândia, na noite de terça-feira, 17, acabou com dez presos, lojas saqueadas e ao menos um PM e uma usuária de droga feridos. Segundo a Polícia Militar, a confusão começou com um desentendimento entre usuários de drogas na rua ao lado do Largo Coração de Jesus, onde ocorria um culto religioso, por volta das 20 horas. 

Policiais que ficam na base localizada dentro do Largo tentaram intervir e foram atacados, segundo a PM. Já segundo dependentes químicos e assistentes sociais ouvidos pelo Estado o conflito teria sido iniciado pelos policiais, que tentaram expulsar dependentes instalados em barracas ao longo da Alameda Dino Bueno.

Instalada a confusão, a base da PM foi alvo de pedradas e pedaços de pau. “Acreditamos que havia alguns usuários com coquetéis molotov também porque o policial ferido parece ter sido atingido por um estilhaço de coquetel molotov”, disse a tenente Beatriz Miscow, comandante do policiamento na região da Cracolândia.

Como a base tem apenas três policiais por turno, foi pedido reforço da Força Tática e da Tropa de Choque, que revidaram com bombas de efeito moral e balas de borracha. Dependentes atearam fogo em lixeiras e em outros objetos. O Corpo de Bombeiros foi chamado para conter as chamas.

Saques. Com a dispersão dos cerca de 300 usuários de drogas envolvidos na confusão, começou uma onda de saques a lojas da região. Oito pessoas acabaram presas em flagrante por furto qualificado e dano. Elas foram levadas para o 2.º Distrito Policial (Bom Retiro) e, na manhã desta quarta, seguiram para audiência de custódia. Outros dois foram detidos por receptação ao serem flagrados com sapatos furtados.

Localizada na Avenida Duque de Caxias, a loja de calçados Zapata foi a que registrou o maior prejuízo, estimado em R$ 50 mil. “Levaram sapatos, acessórios, os computadores e ainda destruíram as câmeras de segurança”, afirmou o gerente da loja, Thiago Soares, de 28 anos. 

A JMC Materiais Elétricos, na Rua Santa Ifigênia, foi outro comércio alvo de saques. Um vídeo gravado por câmeras de segurança do estacionamento ao lado da loja mostra os saqueadores com uma barra de ferro usada em placas de rua. Após a invasão, dezenas de pessoas entram na loja e saem de lá com ventiladores, computadores e outros objetos. Dois minutos depois, a Polícia Militar chega e prende quatro pessoas em flagrante. Os outros quatro detidos por furto foram flagrados na invasão à Zapata. Veja abaixo:

Feridos. O PM atingido por estilhaços de coquetel molotov foi ferido na boca e encaminhado para a Santa Casa de São Paulo. Ele passa bem, mas os médicos ainda avaliam se ele precisará de uma cirurgia. Uma usuária de droga foi atingida por uma bala de borracha no queixo, teve a região suturada e saiu do hospital no início da tarde.

A Secretaria da Segurança Pública informou que, além da base policial, os dependentes atacaram e depredaram um ônibus e uma viatura da Guarda Civil Metropolitana. Procurada, a Prefeitura afirmou que a GCM não participou da ocorrência. 

Na manhã desta quarta, os usuários de drogas continuavam concentrados na Rua Helvetia e na Alameda Dino Bueno, próximo do Largo Coração de Jesus, mas não havia relatos de conflito. Dois quarteirões estavam tomados pelos dependentes químicos e por barracas.

Profissionais de saúde, da assistência social e de ONGs que trabalham na região dizem temer o aumento da repressão policial na área com a nova gestão municipal. “Desde o começo de janeiro, está circulando o aviso de que a polícia fará uma batida mais forte”, diz o psicólogo Cristiano Vianna, de 36 anos, do coletivo Casa Rodante. O novo secretário municipal da Segurança Urbana, José Roberto Rodrigues, afirma que buscará a integração com o governo do Estado para ações na Cracolândia.

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