Oito continuam presos; defensor nega agressão de jovem

Advogado diz que suspeito apenas estava no Parque D. Pedro quando ocorreu o ataque ao comandante

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h05

Oito dos 92 detidos pela polícia durante o protesto pelas melhorias no transporte, na sexta-feira, continuam presos. Entre eles está o estudante Paulo Henrique Santiago dos Santos, de 24 anos, acusado de agredir o coronel Reynaldo Rossi.

Segundo a Polícia Civil, ele responderá por tentativa de homicídio, lesão corporal, roubo e formação de quadrilha e deverá ser transferido hoje para o Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste da cidade.

O advogado de Santos. Guilherme Silveira Braga, afirma que o rapaz não participou do espancamento do coronel. "Ele foi acusado porque seu rosto aparece em uma foto em que rapazes estão agredindo o policial. Mas ele não participa da agressão", afirma. "Ele é inocente. Não é um black bloc. É aluno de Relações Internacionais, trabalha em uma multinacional e essa prisão está acabando com a vida dele."

O advogado teve um pedido de liberdade provisória para o rapaz negado nesse domingo, 27, pelo plantão judiciário da capital. Ele vai entrar com pedido de habeas corpus amanhã.

Já os demais presos estão sendo acusados de dano e formação de quadrilha. Dois deles também respondem por explosão pois, segundo a polícia, foram flagrados com coquetéis molotov. Além dos presos, três rapazes de 16 anos estão internados na Fundação Casa (antiga Febem) por participação nos atos de depredação.

Passe Livre. O Movimento Passe Livre divulgou nesse domingo uma nota na internet sobre a Semana Nacional de Lutas pelo Transporte - a série de protestos que terminou na sexta com o confronto com a polícia. "Infelizmente essas manifestações acabaram publicadas nas páginas policiais. Não apoiamos o que aconteceu com o coronel da PM, mas também condenamos o atropelamento de manifestantes por um delegado no Grajaú na quarta-feira". O texto cita outros casos de abusos cometidos pela polícia. O Estado tentou falar com alguns dos integrantes do grupo desde a manhã de sábado, sem sucesso - naquele dia, pessoas ligadas ao MPL gritaram canções de apoio aos black blocs.

Já as diversas páginas black blocs de São Paulo também comentaram o espancamento do coronel. Vídeos que mostram as agressões ao PM são editados de forma a mostrar cenas de policiais espancando pessoas na rua em outras manifestações. Os integrantes da página chamam a tentativa de linchamento de "reação" à violência policial desenvolvida nas manifestações de rua.

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