Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Oficial da PM de SP é alvo de ofensas racistas durante palestra online

O tenente-coronel Evanilson Corrêa de Souza falava sobre o programa de combate ao racismo da corporação paulista quando a apresentação foi invadida com mensagens racistas. Caso foi registrado na polícia

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2021 | 18h35
Atualizado 10 de fevereiro de 2021 | 19h39

O tenente-coronel Evanilson Corrêa de Souza, da Polícia Militar de São Paulo, foi alvo de ofensas racistas durante sua palestra em um curso online nesta terça-feira, 9. Duas pessoas invadiram a apresentação, rabiscaram mensagens com termos racistas, que também foram replicadas no chat da sala com todos os participantes. Um boletim de ocorrência foi registrado sobre o caso. 

Souza coordena o Programa de Combate ao Racismo da PM de São Paulo e participava da 1ª edição do Curso de Segurança Multidimensional nas Fronteiras, realizado pelo Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI-USP) em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie e com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O curso está sendo ministrado para mais de 2 mil alunos de todos os Estados e países vizinhos. 

O IRI-USP informou em nota que nesta terça-feira Souza foi recebido para uma exposição sobre o programa que coordena e os desafios para o combate ao racismo no contexto da atividade policial. “Às 17:26h, um usuário começou a hostilizar o palestrante com termos racistas, chegando inclusive a tomar o controle da apresentação e rabiscar tais termos na tela compartilhada com todos os participantes. Também aparece no chat às 17:30h um outro usuário disparando injúrias racistas e foi retirado da sala pela nossa equipe”, disse o instituto. 

Uma denúncia foi feita ao diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e o registro da ocorrência foi feito no 14º DP (Pinheiros). “A Diretoria do IRI-USP manifesta repúdio a todo e qualquer ato de injúria racial que fere os princípios constitucionais da honra e dignidade da pessoa humana que balizam a parceria com a REDPPOL e as demais instituições parceiras”, declarou em nota. REDPPOL é a sigla para Rede Interamericana de Desenvolvimento e Profissionalização Policial de quem partiu a iniciativa para a realização do curso. 

Em nota, a PM disse que “repudia veementemente os ataques com ofensas raciais e mensagens de ódio” dirigidos ao oficial da corporação.  “Como membro do grupo revisor do Manual de Direitos Humanos da Polícia Militar do Estado de São Paulo e profundo conhecedor da matéria, o tenente-coronel Souza foi convidado pela organização do curso para, justamente, expor o programa da PMESP de combate ao racismo quando, logo no início da exposição, sofreu ataque cibernético que comprometeu desenvolvimento do trabalho”, apontou. 

A Universidade Presbiteriana Mackenzie disse em nota que repudia qualquer tipo de discriminação de raça e gênero. "Nossa instituição segue seus valores os princípios cristãos e não concorda com qualquer tipo de manifestação preconceituosa, de violência física ou verbal, e vai seguir defendendo seus princípios de respeito e amor ao próximo."

O Estadão mostrou em dezembro que o tenente-coronel Evanilson Corrêa de Souza se tornou o responsável por rever os procedimentos da PM paulista para combater o racismo nas ruas do Estado. Souza foi designado para o grupo de trabalho que está reformulando o manual de direitos humanos da corporação.  “O procedimento operacional será claro: o racismo não será tolerado”, disse na oportunidade o oficial.

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