Ofertas de golpes e fraudes tomam a rede

Há quem anuncie a venda de remédios sem receita, a retirada de pontos da CNH, a instalação ilegal de TV a cabo, o pagamento de boletos com 50% de desconto e a venda de celulares sem nota

Marcelo Godoy, O Estado de São Paulo

26 de março de 2017 | 15h00

As comunidades de compra e venda mantidas em redes sociais se transformaram em feiras do rolo virtual e espaço aberto para a oferta de golpes e fraudes. Há quem anuncie a venda de remédios sem receita, a retirada de pontos da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), instalação ilegal de TV a cabo, pagamento de boletos com 50% de desconto e venda de celulares sem nota fiscal.

No dia 3 de março, por exemplo, Aparecida postou em um grupo de “carros só para rodar” um mensagem dizendo ser despachante e anunciando que retirava pontos da CNH. Um interessado perguntou a ela se conseguia o Documento Único de Transferência (DUT) de veículos sem pagar multas – o que só seria possível mediante fraude. Aparecida deixou o número de seu WhatsApp e orientou os clientes a procurá-la “inbox”.

Em outra postagem, no dia seguinte, Danilo oferecia “pagamento online de boletos com 50% de descontos”. Danilo afirmava que era capaz de pagar IPVA, multas, conta de luz, de água, financiamentos e consórcios, cartões de crédito e boletos bancários sempre com desconto. O Estado o procurou, mas ele não quis dar entrevista. Seu post era ilustrado por dois boletos de um banco. “Existem ladrões vendendo mercadorias e muitos golpistas agindo em sites e em comunidades da internet”, afirma o delegado Carlos Eduardo Carvalho, da Divisão de Investigações Gerais do Departamento Estadual de Investigações Criminais.

No mesmo dia 4, Emerson anunciou no grupo Feira do Rolo (SP) que instalava “TV a cabo grade completa sem mensalidade, com premier tudo liberado”. Os clientes deviam procurá-lo pelo WhatsApp. O “serviço” de gatonet custava R$ 800 a vista ou com entrada de R$ 260 mais três parcelas no cartão de R$ 230. Na foto que ilustrava o post havia um aparelho de TV acoplado ao suposto desbloqueador de sinal. Emerson não quis dar entrevista. 

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