Odontologia de Bauru: iniciativas bem-sucedidas em prol da sociedade

Em meio a tantos fatos que envolvem a Universidade de São Paulo na mídia nos últimos meses, há de se considerar alguns que foram esquecidos. Quantas famílias não ostentam orgulho absoluto em ter um filho, sobrinho ou neto estudando ou formado na USP? Talvez aqueles que querem enxergar apenas a parte vazia do copo não se permitam lembrar que, a despeito do momento pelo qual a USP passa, que creio será superado, isso é um fato real. Mais ainda, que iniciativas de algumas unidades da USP transformaram a vida de famílias não só pelo veio acadêmico, que lhe é inerente, mas pelo veio do compromisso social.

MARIA APARECIDA DE ANDRADE MOREIRA MACHADO, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2014 | 02h07

Há 52 anos formando odontólogos e fonoaudiólogos de alto nível, a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP pode se orgulhar em ter sido berço de uma das mais bem-sucedidas iniciativas de uso de conhecimento gerado na universidade em prol da sociedade.

Em 1967, o então jovem professor-doutor José Alberto de Souza Freitas, também conhecido como tio Gastão, liderou o grupo de docentes que iniciou o atendimento a crianças portadoras de fissuras labiopalatinas em uma das clínicas da faculdade.

Com o atendimento crescente, alguns anos depois conquistou um espaço próprio, que passou a ser chamado de Centrinho. Em 25 de março de 1976, por decreto governamental, o Centrinho se tornou o Hospital de Pesquisa e Reabilitação de Lesões Lábio-Palatais - hoje Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais / HRAC-USP. Em 11 de janeiro de 2005, foi reconhecido pelos Ministérios da Educação e da Saúde como hospital universitário de ensino e considerado referência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no tratamento de anomalia craniofacial.

O HRAC/USP faz parte do câmpus da USP Bauru, que, com os cursos de Odontologia e Fonoaudiologia da FOB, consolida-se como polo de saúde da USP no interior de São Paulo. É especializado na reabilitação de fissuras labiopalatinas, anomalias congênitas do crânio e da face e deficiências auditivas. Oferece tratamento integral e multidisciplinar, dedicando 100% de sua capacidade instalada a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como hospital de ensino, oferece programas apenas de pós-graduação, no stricto sensu (mestrado e doutorado), lato sensu (dez cursos de especialização na área da saúde), Residência Médica em Otorrinolaringologia, Residência Multiprofissional em Saúde - Síndromes e Anomalias Craniofaciais, Residência Multiprofissional em Saúde Auditiva, além de cursos de aperfeiçoamento e atualização.

Ao longo de seus 47 anos de existência, o HRAC/USP possibilitou a reabilitação de milhares de pacientes, dando a eles e a seus familiares um alento positivo de vida pessoal, integração social e qualidade de vida. Esse é um legado indiscutível e considerável que deve ser creditado à USP de contribuições significativas para a sociedade brasileira.

Como "uspiana" que sou desde os 17 anos de idade, destaco que o maior patrimônio da Universidade de São Paulo são os docentes, funcionários e alunos que circulam diariamente em seus câmpus. Comparo-os ao sangue que corre nas nossas veias e faz nosso coração pulsar nos dando vida: assim são essas pessoas que dão vida à querida USP.

Professor Marco Antonio Zago, nosso reitor, ressalta a seus colaboradores que neste momento a gestão da USP e de suas unidades exige serenidade, cautela, habilidade, planejamento cuidadoso e criatividade frente às limitações orçamentárias que ora passamos. Com a força e empenho de todos, tenho convicção de que passaremos por esses percalços de forma sustentável, sem comprometer o destaque e a grandeza da USP, que neste ano completa oito décadas transformando positivamente a vida de tantas pessoas.

MARIA APARECIDA DE ANDRADE MOREIRA MACHADO É PROFESSORA TITULAR, DIRETORA DA FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE BAURU DA USP E PRESIDENTE DO CONSELHO DELIBERATIVO DO HOSPITAL DE REABILITAÇÃO DE ANOMALIAS CRANIOFACIAIS DA USP

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