Ocupação da Rocinha abre era das 'mega-UPPs

Cenário: Wilson Tosta

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2011 | 03h02

Décima-nona Unidade de Polícia Pacificadora, a Rocinha-Vidigal representa mudança de patamar no programa que a gerou - um outdoor político acalentado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), e sua principal aposta na segurança. Só nas comunidades ocupadas ontem, o projeto lidará diretamente com 80 mil pessoas curtidas em décadas de violência e achaques policiais. Será a maior UPP: até então, o tamanho médio das populações pobres atendidas era pouco maior que 15 mil pessoas por unidade, indo dos 4 mil moradores do Salgueiro aos 50 mil do Jardim Batam.

O novo degrau, das "mega-UPPs", tende a se repetir em novos alvos do programa - os Complexos da Maré (130 mil habitantes) e do Alemão (80 mil). Nos dois casos, há desafios cujo enfrentamento ainda preocupa planejadores da política de segurança. A Maré, com 16 comunidades espalhadas por 800 mil m², tornou-se "santuário" de criminosos expulsos pelas UPPs. Já o Alemão está ocupado pelo Exército desde 2010 - e a própria Secretaria de Segurança reconhece que essa ocupação foi fundamental para a UPP da Rocinha/Vidigal, por "liberar" policiais do trabalho de conter o tráfico no complexo.

O problema nas comunidades ocupadas tende a ser duplo. Desde seu surgimento, o projeto das UPPs nunca lidara com tanta gente ao mesmo tempo e na mesma área. Serão necessários ao menos mil policiais para tentar evitar a volta ou permanência do tráfico - pelo menos em sua versão ostensiva e abertamente armada. E há o problema "externo": o modelo das UPPs pressupõe que o território seja "saturado" com policiais recém-formados, o que impõe limites físicos à sua expansão futura em outros locais, a tempo de preparar a cidade para os grandes eventos turísticos e esportivos de 2012-2016.

A futura UPP da Rocinha/Vidigal, assim, poderá ser um "laboratório" para a nova fase do programa, de controle de territórios mais amplos e populações mais numerosas.

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