Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

''Observatório'' da Indianópolis será reformado

Espaço que abrigou empresa de lentes por décadas será a nova sede do Creci em São Paulo

Luisa Alcalde, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

Os corretores de imóveis vão ter uma nova sede na capital paulista. Mas a ideia é que o espaço, que já chama a atenção por parecer com um observatório astronômico, vire um lugar em que também se possa aprender sobre as estrelas.

Fechado desde o ano passado, depois que a fábrica de lentes ópticas DF Vasconcelos cerrou definitivamente as portas de sua sede paulista no 1.706 da Avenida Indianópolis, na zona sul de São Paulo - onde funcionou por quase 70 anos -, o imóvel que ocupa um quarteirão inteiro no Planalto Paulista acaba de mudar de mãos. O novo dono é o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), de São Paulo, que concretizou o negócio no mês passado por R$ 22 milhões para transferir sua sede dos Jardins para o bairro. As negociações duraram cerca de dois anos.

Daqui a seis meses, o local estará em obras para ser restaurado e, embora não seja tombado, terá suas características preservadas por ter feito parte da história industrial da cidade. A reforma deverá ser concluída em um ano e meio. O conselho busca agora a contratação do escritório de arquitetura que ficará responsável pela empreitada.

No momento, o aspecto é de abandono. Há lixo e mato alto espalhados pelas calçadas na frente do prédio. As copas das árvores internas quase encobrem a construção principal. Dois guardas zelam para que o local não seja invadido desde que a produção industrial chegou ao fim, em meados de 2010.

Um observatório construído no topo, que ninguém na vizinhança sabe dizer a utilidade dada ao longo dos anos, também será revitalizado. "Vamos colocar um novo telescópio", anuncia o presidente do Creci, José Augusto Viana Neto. A reportagem procurou a DF, hoje com sede no Rio, mas não teve retorno.

A ideia, segundo ele, é tentar firmar um convênio com o Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (USP) para que o espaço seja usado gratuitamente por escolas da rede pública. "Elas poderão ter as primeiras noções de astronomia aqui."

O terreno, no quadrilátero formado entre as Avenidas Indianópolis, Irerê e as Alamedas Uapês e Guainumbis, tem 10 mil metros quadrados de área e 12 mil metros quadrados construídos. Além do prédio onde fica o observatório, o imóvel abriga ainda nos fundos quatro galpões e uma grande área de estacionamento.

A ideia é que os galpões sejam reformados e sirvam de sala de aula e de auditório para palestras e cursos ministrados a corretores de imóveis, além de abrigar eventos patrocinados pela entidade de classe.

Fachada igual. Viana Neto calcula que o espaço, que preservará as características originais de sua fachada e será aberto à visitação pública, deverá ficar pronto em dois anos. "As mudanças serão apenas internas", explica.

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