Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Obras são suspensas no Parque da Água Branca

Administração acatou pedido do Ministério Público, que vistoriou ontem o local e constatou falta de autorização para desmatamento de área

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2010 | 00h00

A administração do Parque da Água Branca, na zona oeste, suspendeu parte das obras de revitalização do local, após vistoria do Ministério Público. Na visita, o promotor Washington Luís de Assis constatou irregularidades na obra dos tanques do lago e a demolição de um prédio anexo à mina de água.

Segundo o promotor, as obras estão sendo realizadas em uma área de preservação permanente e não tiveram a autorização dos órgãos competentes da Prefeitura. Após a vistoria, Assis pediu a suspensão dos trabalhos.

No fim da tarde, a direção do parque, que nega as irregularidades, acatou a solicitação e disse que vai adaptar-se às exigências do Ministério Público. "Vamos buscar a autorização necessária", garantiu o administrador, José Antônio Teixeira. De acordo com o promotor, o Ministério Público pode recorrer à Justiça se a necessidade de autorização ambiental for ignorada pela administração local.

Reclamações. Em média, cerca de 7 mil pessoas passam pelo local diariamente. O MP decidiu vistoriar a obra depois de receber documento com assinaturas de 1,7 mil frequentadores do parque. "É a primeira vez que a comunidade se manifesta. Estou aqui há dez anos. Isso nunca aconteceu", disse Teixeira.

A advogada Cláudia Lukianchuki de Lacerda, que faz parte do grupo de frequentadores que fez a reclamação à Promotoria, acompanhou a vistoria. "Vamos continuar a movimentação. Não abrimos mão de participar das decisões."

Discórdia. Um dos principais pontos de discórdia entre os frequentadores e a administração do parque é a construção de um caminho batizado como Trilha do Pau-Brasil. Os visitantes dizem que a obra desmatou a área, anteriormente fechada para o público, para a construção do caminho.

Além disso, o parque tem duas nascentes de água. Uma ainda está ativa, enquanto a outra está praticamente seca, por causa da estiagem enfrentada atualmente pela capital paulista. "O mais importante para manter uma nascente é que haja grande quantidade de mata original no entorno dela", afirmou o professor Manuel Enrique Guandiquede, professor de Engenharia Ambiental da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A reforma e a revitalização estão sendo realizadas pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento e pelo Fundo de Solidariedade Social, coordenado pela primeira-dama do Estado, Deuzeni Goldman, cuja sede fica no parque. Ela afirma que o parque não sofre nenhum processo de desmatamento.

Árvores. Segundo Deuzeni, durante o estudo para revitalização, idealizado por ela, técnicos identificaram 35 árvores que já haviam encerrado o ciclo de vida. "Essas árvores estão próximas de cair. Mas só adotaremos alguma medida se houver autorização", afirmou.

Se houver necessidade de remover as 35 árvores, a administração do parque se comprometeu a replantar o dobro de mudas.

CRONOLOGIA

Projeto é de primeira-dama

7 de abril

Nova direção

Deuzeni Goldman assume a função de primeira-dama do Estado e inicia um plano de revitalização do parque.

17 de junho

Reforma

É inaugurada a primeira obra da reforma, o Espaço Cultural Tattersal, um antigo galpão que virou um pequeno teatro. Dias depois, o parque ganha espaços de leitura.

2 de agosto

Caso de polícia

Após queixas de vizinhos, a Promotoria envia uma equipe da Polícia Ambiental para verificar o corte de árvores.

8 de setembro

Pedido de suspensão

Associação de Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca começa a recolher assinaturas pedindo a suspensão das obras.

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