Obras invadem cenário de novela

Expansão do metrô leva tapumes, caminhões e bloqueios ao bairro mais valorizado do Rio

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h05

Durante os próximos 18 meses, os frequentadores do bairro mais chique do Rio de Janeiro terão de se acostumar a uma nova paisagem. Dezenas de tapumes, caminhões e trechos de rua bloqueados agora compõem o cenário da região mais valorizada da cidade, que serve de inspiração para as tramas das novelas de Manoel Carlos. É que, para dar continuidade à expansão da Linha 4 do metrô carioca, o Leblon, onde se paga o IPTU mais caro do Brasil, está se transformando em um canteiro de obras.

"As intervenções eram uma questão de tempo. Mas está tudo correndo melhor do que esperávamos", avalia Evelyn Rosenzweig, presidente da Associação dos Moradores do Leblon (AmaLeblon). Evelyn, no entanto, alerta para o aumento no número de acidentes nas calçadas, que agora dividem espaço com os tapumes e ficaram mais estreitas. "Está se acentuando o conflito que já existia entre ciclistas e pedestres. No domingo, eu quase fui atropelada aqui no Leblon." No fim de semana, quando começaram a vigorar as mudanças no trânsito, o prefeito Eduardo Paes esteve no bairro e foi andar de bicicleta, debaixo de chuva, para dar o exemplo.

Ontem, os taxistas que circulavam pelo local não sentiram congestionamento maior do que o habitual - em parte também por ter sido ponto facultativo na cidade. As linhas de ônibus foram transferidas para a orla e o calçadão por onde frequentemente circulam famosos, como as atrizes Luana Piovani e Deborah Secco, recebeu pontos de ônibus temporários.

A área atualmente mais impactada é o entorno da Praça Antero de Quental, onde será construída a futura estação do metrô. Antes ponto de encontro das babás da elite carioca, a praça vai ficar temporariamente sem playground. As babás Daiane Silva e Cíntia Cardoso procuravam novos lugares para levar as crianças. "Estamos sem rumo agora que fechou a praça", diz Daiane.

"Sou favorável ao metrô e a gente não tem como impedir o progresso, mas o transtorno é muito grande", diz o empresário Paulo Rossi, síndico de um dos prédios vizinhos à praça. Para ajudar os moradores, ele colocou no hall do edifício um mapa com alterações no trânsito, orientações e o telefone da concessionária.

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