Obras furtadas do Masp podem estar no leste europeu

Segundo promotor público há grande possibilidade de Picasso e Portinari já estarem fora do País

Jotabê Medeiros,

08 de janeiro de 2008 | 11h26

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público de São Paulo, investiga a possibilidade de as duas obras de arte furtadas do Museu de Arte de São Paulo no dia 20 de dezembro já estarem fora do País. O destino mais provável, segundo o promotor Roberto Porto, do Gaeco, seria algum País do Leste Europeu, que tem concentrado a coordenação desse tipo de crime no mercado internacional. Porto informou ontem que segue uma linha de investigação auxiliar à da polícia, checando receptadores e fontes do mercado negro de obras de arte nacional. "Também temos recebido um auxílio muito valioso de colecionadores, que nos mantém informados sobre os movimentos nesse mercado", disse. "Segundo especialistas que ouvimos, essas obras já devem estar fora do País". A utilização de obras de arte para lavagem de dinheiro seria uma das motivações mais comuns desse tipo de crime. Em 2006, durante operação no Porto de Santos, a Receita Federal apreendeu um contêiner que vinha de Miami e levava mercadorias declaradas como produtos químicos. Dentro do contêiner, foi recuperada a obra O Caçador de Passarinhos, de Cândido Portinari, posteriormente doada pela Receita ao Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. O destino dos quadros O Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, e do Lavrador de Café, de Portinari, seria semelhante ao de obras furtadas recentemente no Brasil, incluindo peças da Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, e do Museu do Ipiranga, em São Paulo. O Gaeco informou que tem ouvido pessoas que já foram flagradas com objetos de arte levados de museus e igrejas brasileiras, para saber qual seria o destino mais provável dos quadros do museu. "Estamos checando receptadores internacionais que poderiam ser objeto de encomenda dessas obras. Esse cara que encomendou não vai mostrá-las nos próximos 10, 15 anos", ponderou Porto. "Temos essa suspeita, mas não é nada comprovado ainda. Essa é uma das principais linhas de investigação que temos seguido", afirmou. Havia um boato de que a polícia teria recebido nos últimos dias do ano um pedido de resgate pelas obras, mas segundo o Gaeco, isso não se configurou verdadeiro. Outra linha de investigação no Ministério Público está concentrada na própria situação administrativa do museu. A responsável por esse setor, a promotora Mariza Schiavo Tucunduva, se reúne nesta terça, às 14 horas, com representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para discutir a crise no Masp. A promotora convidou o diretor de museus do Iphan, José do Nascimento Júnior, para uma conversa. O prédio do Masp e seu acervo são tombados pelo Patrimônio Histórico, e o Iphan ofereceu-se para integrar a instituição ao Sistema Nacional de Museus, sem sucesso. Reabertura Nesta quinta-feira, o museu receberá convidados pela primeira vez desde seu fechamento, no dia 20 de dezembro, após o furto de uma obra de Picasso e outra de Portinari. Será amanhã, às 19 horas, na vernissage da mostra retrospectiva do artista japonês Tatsumi Orimoto, em homenagem ao Centenário da Imigração JaponesaO museu, que deveria inicialmente ter sido reaberto no dia 26, só será aberto para o público em geral nesta sexta-feira, às 11 horas.Tatsumi Orimoto - Retrospectiva - Museu de Arte de São Paulo (Masp) - Av. Paulista, 1578, São Paulo, SP. Tel.: 11 - 3251-5644 

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