Obras embargadas em SP estão em andamento; Haddad admite falha

'Estado' visitou 26 dos 570 pontos divulgados pela prefeitura e constatou trabalho em construções ou edificações concluídas em dez endereços; Prefeitura espera colaboração da população e alega notificar a PM sobre crimes de desobediência

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro e Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2013 | 02h08

Mesmo após embargo da Prefeitura, obras continuam em andamento por toda a capital. Das 26 construções ou reformas visitadas ontem pela reportagem, dez tinham operários trabalhando ou as obras irregulares já haviam sido concluídas. A amostragem, com endereços em todas as regiões, foi feita com base na lista de 570 pontos divulgados pela administração.

O prefeito Fernando Haddad (PT) admitiu nesta terça-feira, 3, falhas no controle e a possibilidade de que obras estejam em andamento irregularmente ou até mesmo já estejam regularizadas. "Eu não saberia dizer (sobre a situação das obras). Eu mandei publicar a lista para ter o controle e, ao dar público, permito que pessoas possam dar informações que de outra maneira não teria", disse.

Entre as obras irregulares visitadas pelo Estado está o galpão nos números 720 e 736 da Avenida Liberdade, onde quatro funcionários trabalhavam ontem. Em fevereiro, um desabamento no local matou, na calçada, o auxiliar de limpeza Marco Antonio dos Santos, de 51 anos.

Sobre a responsabilidade pelo fechamento do local, Estado e Prefeitura divergem. A gestão Haddad informa que, constatadas irregularidades, comunica a Polícia Militar sobre a ocorrência do crime de desobediência.

O aviso teria sido enviado no dia 21 de junho. No dia 23 de agosto, o Gabinete da Subprefeitura da Sé disse ter enviado ofício para que fosse aberto um inquérito. O delegado titular do 1.º Distrito Policial (Sé), José Sampaio Lopes Filho, disse que recebeu o pedido ontem. "A Prefeitura podia parar a construção." A administração informou que isso iria contra o Código de Obras.

O advogado do proprietário do imóvel, Thomas Nicolas Chryssocheris, alegou que as obras em andamento são apenas emergenciais, por exigência da própria Prefeitura.

Rotina. No número 58 da Rua Barão de Iguape, dez funcionários trabalhavam em outra obra. O local foi embargado e houve queixa por desobediência. Os funcionários não se manifestaram.

Na zona norte, na Avenida Elísio Teixeira Leite, 917, na Freguesia do Ó, funcionários que trabalhavam admitiram saber do embargo. Mais uma vez, a alegação foi de que faziam trabalho de emergência. Na região, operários de uma construção na Rua Parapuã disseram nem sequer saber da irregularidade. "Embargado? Mas é uma agência bancária que vai inaugurar no dia 16", disse um operário.

Os funcionários de uma loja na Avenida Fuad Lutfalla, número 278, também se surpreenderam. O galpão parece recém-reformado, mas quem trabalha lá nada sabe. "Alugamos isso há um mês. Ligamos para o proprietário para verificar ", disse a gerente, que se identificou como Sandra. / COLABOROU GUSTAVO PORTO

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