Jose Patricio/AE
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Obras do esquema serão embargadas

Corregedor-geral do Município diz que medida afetará dezenas de empreendimentos na capital; construção no Tatuapé já foi paralisada

, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2011 | 00h00

A partir de segunda-feira, a Prefeitura, a pedido da Corregedoria-Geral do Município vai embargar obras de construtoras que obtiveram autorização e alvará por meio de fraude. "Podemos falar em dezenas de empreendimentos. Vai aí um recado às construtoras que agiram criminosamente: em breve, começaremos a parar esses empreendimentos, bloquear obras até que tudo seja devidamente pago aos cofres públicos", avisou o corregedor-geral, Edilson Mougenot Bonfim. "Os grandes podem tremer. São Paulo não distinguirá grandes de pequenos. O dinheiro vai ser cobrado."

Um empreendimento foi paralisado, no Tatuapé. A obra do condomínio Portosanto, levantado pela Marcanni, foi suspensa por despacho do prefeito Gilberto Kassab publicado dia 10 no Diário Oficial da Cidade.

Segundo a Polícia Civil e a Corregedoria, o esquema das construtoras começa com o arquiteto Joel José Abrão, que indicava o trabalho do despachante Natali Federzoni, que, por sua vez, indicava a Nobre Consultoria. Lá, Nivaldino Dionísio de Oliveira e seus filhos, Adriana e Alexandre, diziam aos clientes como pagar guias com precatórios e devolvê-las autenticadas. Ainda indicavam terceiros envolvidos no esquema. Intermediários recebiam comissão pelas indicações de serviço. Para a empresa, a vantagem era pagar valor menor que a taxa oficial. Joel, Natali, Nivaldino e Adriana foram presos e responderão por formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e sonegação fiscal - Alexandre não foi encontrado.

Para Bonfim, apesar de construtoras e acusados se dizerem vítimas, todos são cúmplices. "Os precatórios são "de vento", papéis inexistentes. Estamos falando de crime de colarinho branco. São donos de construtoras, gente letrada. Tenho expectativa de que polícia, Ministério Público e Judiciário levem para a cadeia donos de empresas que cometeram crimes. A vítima foi a sociedade de São Paulo."

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