Obras de Picasso, Segall e Di Cavalcanti são roubadas em SP

Três homens, um deles armados, invadiram a Estação Pinacoteca e levaram as obras que estavam expostas

Lívia Deodato, Rodrigo Brancatelli e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2008 | 14h05

Duas obras do pintor espanhol Pablo Picasso (1881 - 1973), uma gravura do lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1891-1957) e outro quadro do brasileiro Di Cavalcanti (1897 - 1976) foram roubados, nesta quinta-feira, 12, na sede da Estação Pinacoteca, onde acontecem exposições do acervo da Pinacoteca de São Paulo. Segundo as primeiras informações, a ação foi cometida por três homens, um deles armado, que entraram sem máscara. As imagens foram gravadas pelo circuito interno de TV e a polícia pretende fazer um retrato falado dos homens.   Veja também: Há seis meses bandidos levaram obras do Masp Pinacoteca exibe obras da Fundação Nemirovsky 50 anos sem Lasar Segall, um lituano no Brasil   Três delegados e dez equipes da Polícia Civil acompanham as investigações no local. O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) deve realizar uma entrevista coletiva no final da tarde desta quinta-feira, para dar mais informações sobre o roubo. Segundo estimativa de policiais, o roubo deve ter durado aproximadamente 10 minutos, por volta das 11h30. Três funcionários foram rendidos pelos homens. Os criminosos estavam com uma sacola, onde armazenaram as obras de arte. Depois disso, saíram. A polícia suspeita que pelo menos um terceiro comparsa tenha dado cobertura aos outros dois, na saída do local.    Segundo a polícia, as obras levadas foram: Mulheres na Janela (1929), o óleo sobre cartão de Di Cavalcanti, O Pintor e seu Modelo (1963), gravura de Picasso; Minotauro, Bebedouro e Mulheres (1933), gravura de Picasso e Casal (1919), guache sobre cartão de Lasar Segall. A Estação Pinacoteca é um local de exposições da cidade de São Paulo, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. Fica localizada no centro da cidade, no Largo General Osório, no bairro da Luz, ao lado da Sala São Paulo e da Estação Júlio Prestes.                                                                                                      Casal, de Lasar Segall, guache de 1919   Todas as obras pertenciam ao acervo da Fundação José e Paulina Nemirovksy. A Pinacoteca do Estado mantinha com a entidade um acordo de doação em comodato, desde 2004, para guardar e exibir as obras da rica coleção do casal. Pelo acordo, elas são emprestadas ao museu, que mantém parte em exposição permanente no segundo andar do prédio e de tempos em tempos exibe algumas sob a curadoria da historiadora Maria Alice Milliet.   Segundo nota oficial da Secretaria Estadual de Cultura, as obras foram levadas por três homens armados que renderam os atendentes. Os quatro trabalhos têm um valor aproximado de R$ 1 milhão. A secretaria deve se pronunciar após a conclusão das primeiras investigações. O edifício da Estação Pinacoteca permanecerá fechado no resto do dia desta quinta e reabrirá na sexta-feira. O local foi inaugurado em 1914. Antes de se tornar esse espaço cultural, o prédio pertenceu à administração da Estrada de Ferro Sorocabana. Durante o período da ditadura militar, tornou-se sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), para onde eram mandados os presos políticos.                 Minotauro, bebedor e mulheres, de 1933, e O Pintor e sua Modelo, de 1963, gravuras de Picasso     Em cerca de seis meses, São Paulo enfrenta o segundo roubo de obras de arte famosas em museus. No dia 20 de dezembro, as portas Masp estavam arrombadas quando um funcionário chegou ao local. A ação dos ladrões foi rápida e precisa, indicando que eles sabiam quais as obras que pretendiam levar: O Lavrador de Café, de Cândido Portinari, e O Retrato de Suzanne Bloch, de Pablo Picasso. Imagens do circuito interno de TV mostraram que o furto foi praticado por três rapazes e durou apenas três minutos, entre as 5h09 e 5h12.   Robson de Jesus Jordão, de 32 anos, Francisco Laerton Lopes de Lima, de 33 anos, foram presos na época em que as telas foram recuperadas. O terceiro suspeito, Moisés Manoel de Lima Sobrinho, de 25 anos, se entregou no fim de janeiro à polícia. Em 2 de abril, o quarto envolvido foi preso pela polícia. Alexsandro Bezerra da Silva, de 31 anos, foi encontrado na zona leste da capital, na casa de um irmão. Os quatro acusados iriam receber R$ 5 milhões pelas obras. O mentor do crime ainda é procurado pela polícia.

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