TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Obras de ciclovia travam trânsito de Santa Cecília

Motoristas ficam parados por mais de uma hora na Rua Frederico Abranches; ‘Estado’ não encontrou nem sequer um operário no local

Natália Cacioli, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2015 | 21h18

A construção da ciclovia na Rua Amaral Gurgel, sob o Elevado Costa e Silva, o Minhocão, tem deixado a região de Santa Cecília travada durante várias horas do dia. Ontem à tarde, motoristas ficaram parados no mesmo ponto da Rua Frederico Abranches por mais de uma hora. Houve até invasão do trecho de ciclovia já concluído para se fugir do caos no trânsito. Na obra, não havia nenhum operário.

A Frederico Abranches tem apenas uma faixa de rolagem para veículos – à direita está a ciclovia e à esquerda há vagas da Zona Azul. Motoristas de ônibus e moradores da região contam que o tráfego na via que dá acesso ao Corredor Leste-Oeste já era complicado nos horários de pico, mas, após a instalação da ciclovia, em setembro, e o início das obras na Amaral Gurgel, o engarrafamento aumentou.

“Estou prestes a fechar a minha loja. Desde que o trânsito ficou desse jeito, o movimento caiu muito”, disse a comerciante de roupas Sonia Regina dos Santos, de 57 anos.

Uma extensa fila de ônibus se forma na rua e os motoristas chegam a descer dos veículos para tomar café. Benedito Cecílio da Silva, de 64 anos, trabalha na Linha 967A-10 (Pinheiros-Imirim) há 34 anos e já ficou parado na Frederico Abranches por duas horas e meia. “Todos os dias, por volta das 16 horas, eu fico parado aqui por pelo menos uma hora”, contou.

 

O Estado flagrou automóveis e motocicletas invadindo a via exclusiva para ciclistas. A artista Maíra Onaga, de 28 anos, que pedala na região, contou que o desrespeito dos motoristas é frequente. “O maior problema é que os motoristas invadem a faixa, não dão a preferência nos cruzamentos. Para piorar, as ciclovias estão cheias de buracos e, quando chove, ficam escorregadias.”

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o trânsito de ontem foi causado pela obra da ciclovia na Amaral Gurgel, mas afirmou que não registrou congestionamento na área em outros dias.

Obra parada. Enquanto um agente da CET tentava organizar o trânsito no cruzamento da Rua Jaguaribe com a Amaral Gurgel, não havia nem sequer um operário ou máquina no canteiro de obras.

A São Paulo Transporte (SPTrans) informou, em nota, que as obras estão sendo realizadas normalmente. “No entanto, diferentes pontos do trajeto estão recebendo os trabalhos e, na tarde de ontem, os serviços foram realizados em outro trecho da ciclovia”, sem informar qual. As obras começaram no dia 5 de janeiro ao custo de R$ 7,678 milhões. A via se estenderá pelas Avenidas São João e General Olímpio da Silveira, ao longo do Minhocão.

 

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