Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Obras de barragens contra crise hídrica sofrem atraso

Três barragens ampliariam em até 10 metros cúbicos por segundo a oferta de água para as regiões de Campinas, Piracicaba e Jundiaí

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

25 de setembro de 2015 | 23h14

SOROCABA - As obras de três barragens que ampliariam em até 10 metros cúbicos por segundo a oferta de água para as regiões de Campinas, Piracicaba e Jundiaí estão atrasadas, segundo o Consórcio das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

Os reservatórios foram projetados como novas fontes para abastecer as populações das Bacias PCJ, liberando mais água do Sistema Cantareira para a Grande São Paulo, mas os projetos e licitações sofrem atrasos. Com isso, os efeitos da crise hídrica podem ser prolongar, alertou o PCJ em documento entregue à Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado.

As barragens de Pedreira, no Rio Jaguari, e Duas Pontes, no Camanducaia, estão em licenciamento, porém, não têm os recursos garantidos. O reservatório do Rio Piraí, que deve atender a ampliação do aeroporto de Viracopos, não tem previsão para o início das obras. Os atrasos ocorrem num momento em que a disponibilidade hídrica na região do PCJ e no Alto Tietê, de onde sai a água que abastece as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas, está no limite, afetando o abastecimento dos municípios.

De acordo com o consórcio, em época de estiagem, a disponibilidade cai de 408 para 299 metros cúbicos por habitante ao ano nas bacias PCJ, e de 208 para 50 m3 por habitante/ano na bacia do Alto Tietê. O mínimo estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 1.000 m3 por habitante ao ano. Já a operação dos reservatórios do Sistema Cantareira encontra-se em limite crítico, segundo o consórcio.

Estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicaram queda na capacidade de produzir água, de 36 metros cúbicos por segundo para 34,4 m3/s.

As barragens de Pedreira e Duas Pontes deveriam ter sido iniciadas em agosto deste ano, segundo cronograma do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (Daee), mas a licitação ainda não foi aberta. O órgão informou que os projetos foram incluídos no Programa de Aceleração Econômica (PAC) do governo federal para enfrentar a crise hídrica. As obras, incluindo o sistema adutor que levará a água dos reservatórios até os municípios, estão estimadas em R$ 1,2 bilhão, mas o Estado aguarda a liberação dos recursos para iniciar o processo de licitação.

Os estudos de impacto ambiental estão sob análise e o Conselho Estadual do Meio Ambiente marcou audiências públicas para o dia 6 de outubro, em Campinas; 15 de outubro, em Pedreira, e 3 de novembro, em Amparo. Após a concessão da licença, serão necessários pelo menos três anos para concluir as obras e encher os reservatórios. O presidente do PCJ e prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira (PMDB) teme que a crise econômica dificulte a liberação de verbas para os projetos.

A barragem do Piraí, entre Salto e Itu, está orçada em R$ 105 milhões e também depende de recursos federais. Além dos problemas ambientais, pelo menos uma fazenda tombada pelo patrimônio histórico está na área a ser inundada. Com 10 bilhões de litros e vazão máxima de 2,5 m3/s, quando pronto, o reservatório atenderá também as cidades de Itu, Salto, Cabreúva e Indaiatuba.

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