Obra traz olhar diferente sobre imigrantes

Organizado por professores da USP, livro será lançado amanhã na Vila Madalena

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2011 | 03h01

O imigrante encarado não como massa, multidão anônima, mas em sua individualidade. Esse é o viés do livro São Paulo, Os Estrangeiros e A Construção das Cidades (Alameda Casa Editorial), com 25 artigos que lançam um olhar diferente sobre a questão dos forasteiros que ajudaram a construir São Paulo.

Organizada pelos professores da Universidade de São Paulo (USP) Ana Lúcia Duarte Lanna, Fernanda Arêas Peixoto, José Tavares Correia de Lira e Maria Ruth Amaral de Sampaio, a obra é resultado de quatro anos de uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

"O livro é a síntese de nosso percurso", comenta Ana Lúcia. "A maior parte dos trabalhos publicados é inédita."

"Conseguimos levantar, desde o fim do século 19, artistas, artesãos, arquitetos, fotógrafos, engenheiros, empresários e intelectuais que deixaram seus países de origem e se instalaram no Brasil", explica o professor Lira, citando os exemplos do arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik (1896-1972) e do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009).

Grupos. Mas o livro não para por aí. "Além das trajetórias individuais, também trazemos análises de grupos específicos, por exemplo, os imigrantes judeus, os bolivianos e os coreanos", completa Lira.

É o caso do objeto de estudos da professora Maria Ruth: os coreanos que vivem no bairro paulistano do Bom Retiro. "Eles chegaram a São Paulo há cerca de cinco décadas e, aos poucos, foram substituindo os judeus na indústria da confecção", contextualiza. "Por outras razões, eu já frequentava muito o bairro. E tinha curiosidade em conhecer melhor essa colônia."

Ela surpreendeu-se com a precisa organização de suas rotinas, com horários certos para tudo, e com o respeito às tradições. "Eles fundaram uma escola no bairro com um objetivo muito claro: preparar suas crianças e adolescentes para que ingressem na Universidade de São Paulo (USP)", conta a professora. "Eles prezam muito a educação e entendem que o melhor que pode acontecer a seus filhos é graduar-se na USP."

São Paulo, Os Estrangeiros e A Construção das Cidades também aborda a história dos italianos no Bexiga, a atuação dos arquitetos e fotógrafos estrangeiros na cidade e a influência americana em São Paulo, entre outros temas.

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