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Obra resgata história da limpeza pública na cidade de São Paulo

Em 1899, 1º prefeito da capital e Emílio Ribas já travavam discussão sobre o destino do lixo: aterro ou incineração

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2012 | 03h05

O relato de uma cidade que cresce e se organiza diante das suas necessidades. É assim que o presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (Selur), Ariovaldo Caodaglio, define o livro Limpeza Urbana na Cidade de São Paulo - uma história para contar. Ao lado do pesquisador Roney Cytrynowicz, Caodaglio coordenou o levantamento de dados, imagens e informações sobre a história da limpeza urbana em São Paulo - desde a segunda metade do século 17 até os dias atuais.

Pode parecer curiosa a publicação de um livro sobre como o lixo de São Paulo era tratado, mas, segundo o autor, muitas das discussões mostradas na obra ainda são atuais.

"Em 1899, o primeiro prefeito de São Paulo, Antônio Prado, e o seu secretário Emílio Ribas discordavam sobre qual destino dar ao lixo da cidade. Emílio, que era infectologista, achava que o lixo deveria ser incinerado, mas Prado argumentava que era muito caro. Incinerar ou não o lixo é uma discussão que é feita ainda hoje", diz Caodaglio.

A obra conta algumas histórias que revelam como a cidade e o poder público funcionaram ao longo das décadas. No início do século passado, por exemplo, o lixo era carregado por mulas. Os caminhões, modelos especiais movidos a gás produzido pela queima de carvão, só começaram a ser usados na década de 1930.

"As mulas ficavam onde hoje é o Parque do Ibirapuera.Elas eram bem tratadas, tinham uma equipe de veterinários à disposição. Mulas e caminhões conviveram juntos até 1968", conta Caodaglio.

Na década de 1920, a administração pública organizava um desfile na Avenida Paulista, que na época abrigava grandes casarões, para mostrar à população todo o seu equipamento de limpeza urbana. "A cidade vivia uma metamorfose, a semana de 1922 tinha acabado de acontecer e os equipamentos mostravam a modernidade."

A pesquisa de documentos e dados para o livro começou a ser realizada em 2004. Além da prospecção de informações, várias entrevistas foram feitas com personalidades que participaram da história de alguma forma. "Um serviço tão essencial como limpeza urbana não poderia ter informações tão espalhadas."

Segundo o autor do livro, as fotos são o ponto alto do livro por mostrar como São Paulo se modificou ao longo do tempo. "À medida que a cidade começou a crescer, o lixo se tornou uma questão mais importante", afirma Caodaglio.

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