'Obra representa era de opressão aos índios'

Eles avisaram algumas pessoas que fariam uma ação de impacto. "Temos amigos que foram enquadrados por formação de quadrilha e todo cuidado é pouco", disse um dos pichadores, que pediu para ser chamado de Bakunin, em referência ao líder anarquista Mikhail Bakunin. Abaixo, o pichador explica o que motiva o grupo - que já participou de diversas pichações, como ao Teatro Municipal, à Prefeitura e ao monumento de Paulo Mendes da Rocha na Praça do Patriarca - a atacar o patrimônio público.

Entrevista com

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2013 | 02h08

Por que vocês picharam o Monumento às Bandeiras? Aquele monumento representa os bandeirantes e muita gente não sabe que eles foram estupradores e assassinos de índios. Ele representa uma era de opressão e segregação aos índios. A maioria não sabe, mas está rolando agora uma PEC, a 215, que pretende acabar com a demarcação indígena. Nós, do Pixo Manifesto Escrito, abraçamos a causa. A nossa cultura indígena é das poucas coisas que nos restam. Fazendeiros e ruralistas continuam assassinando os índios e querem mais.

Como foi a ação? Quantos participaram? Um número suficiente de pessoas para não chamar a atenção. A gente sabe que tem um monitoramento grande por lá. O objetivo é trazer a pauta da PEC e colocar isso em discussão nacional.

É um monumento histórico da cidade. Não é uma forma agressiva de se manifestar? Agressivo é aquele monumento. Há uma simulação da bondade dos bandeirantes. Mas os índios eram escravos, eram mortos.

Desde junho, o Pixo Manifesto participou de outras ações, como a depredação da Prefeitura. Como você vê essa ação de destruição do patrimônio público? Somos pichadores, somos um coletivo anônimo. Para a gente, o vandalismo é um instrumento político. Visa a destruir o símbolo do inimigo. É uma destruição simbólica.

Qual a relação de vocês com os Black Blocs? Nenhuma. A gente tem relação com o Movimento Passe Livre e os movimentos das causas indígenas.

Inicialmente vocês foram contra a PEC que tirava o poder do MPE de investigar, certo? Sim, a gente ajudou a derrubar essa PEC. Agora queremos lutar para derrubar a PEC 215.

Faz 30 anos que os pichadores existem em São Paulo. Essa é uma nova fase do movimento? Sempre houve ações coletivas. Com o tempo, o picho ficou mais focado às suas disputas internas. Essa iniciativa do Pixo Manifesto Escrito era justamente unir os pichadores coletivamente de uma forma anônima e neutra.

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