Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Obra para o Jardim Edite foi entregue com defeito

Ex-moradores de favela têm achado problemas como vazamentos e infiltrações; CDHU diz que vai resolver

Cida Alves, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2011 | 03h02

Após anos de espera, ex-moradores da antiga favela do Jardim Edite, do lado da Ponte Estaiada, na zona sul, estão decepcionados com o conjunto habitacional que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) construiu para eles. Inaugurado há um mês, no Campo Limpo, o empreendimento apresenta falhas: infiltrações, tubulação entupida, vazamentos, janelas que não fecham, corredores sem luz e ausência de extintores.

"Disseram que só precisava pôr o piso, não foi o que eu encontrei", conta o manobrista Cícero Gomes, de 32 anos. Sua irmã, em outro prédio, está sem gás.

O condomínio Campo Limpo N tem 438 unidades, de 47 e 43 m², e cada mutuário vai pagar R$ 63 mil por seu apartamento, em mais de 20 anos. "Compro três barracos em condições iguais com esse dinheiro", diz a universitária Luci dos Santos Diogo, de 40 anos. Ela afirma que, quando entrou pela primeira vez no apartamento, encontrou a cozinha com água até a canela. O vazamento resultou em infiltrações. No banheiro, o encanamento da pia está entupido. "Já reclamei, mas ninguém resolveu."

O cozinheiro Nilson Ferreira dos Santos, de 39 anos, não acredita mais em solução para a infiltração e o mofo em seu apartamento. "Já estamos vendo que a conta de todos esses reparos cairá é no nosso bolso", arrisca.

Com a obra entregue, muitas famílias não puderam esperar para ocupar os apartamentos porque perderam o aluguel social da Prefeitura (a retirada dos moradores do Jardim Edite para construção do conjunto habitacional foi finalizada em maio de 2009).

Mais de 100 famílias do Jardim Edite vão morar no local, além de moradores das favelas Paraisópolis e Real Parque, também na zona sul.

Solução. Por meio de nota, a CDHU informou que o Campo Limpo N foi entregue "com totais condições de habitabilidade" e que os defeitos "serão sanados no menor prazo possível". O órgão, porém, não deu prazo para resolução. Sobre os extintores, disse que serão entregues a representantes de cada um dos nove prédios do local.

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