Obra no Largo da Batata faz vizinho usar até máscara

Comerciantes reclamam do excesso de pó causado pela reforma, do aumento de trânsito e da diminuição do movimento de clientes

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2012 | 08h39

As obras do Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da capital, estão provocando protestos de comerciantes e moradores da região. Eles reclamam do excesso de pó causado pela reforma, do aumento de trânsito pelas interdições e até da diminuição do movimento de clientes. Buracos nas calçadas também têm tirado a paciência de quem passa por lá.

O excesso de pó levou a jornaleira Maria Margarida Bezerra Marcelino, de 55 anos, a usar máscaras cirúrgicas para evitar crises de rinite alérgica. "Já vi várias pessoas usando também. A moda pegou. O problema é que os caminhões saem da obra carregados de areia e destampados. Aí o pó fica pairando no asfalto. Os carros passam e levantam o pó." Maria comprou a banca de jornal na esquina das Ruas Butantã e Cardeal Arcoverde em 2004 e diz estar acostumada com obras.

O vendedor Emerson Nascimento, de 38 anos, que trabalha em uma loja de sapatos na Rua Paes Leme, não recorreu à máscara, mas sim à vassoura. "Toda hora tenho de varrer a loja. Olha o tanto de pó que junta aqui", diz, mostrando o volume de sujeira que havia acabado de recolher. "No fim do dia, ainda venho com a mangueira para deixar tudo limpo."

Abaixo-assinado. Comerciantes encaminharam abaixo-assinado à Prefeitura há dois meses pedindo para que as ruas fossem lavadas. Em nota, a SPObras, responsável pela reurbanização do largo, informou que mantém "um caminhão-pipa circulando na área, molhando as ruas em obras". Atualmente, quatro vias estão interditadas totalmente, segundo a Prefeitura: Sumidouro (entre as Ruas Ferreira de Araújo e Gilberto Sabino), Pais Leme (entre Padre Carvalho e Fernão Dias), Eugênio de Medeiros (entre Pais Leme e Conselheiro Pereira Pinto) e Capri. A Rua Pedro Christi está liberada apenas para trânsito local.

"Estão sendo reconstruídas as redes de drenagem, todas as camadas do pavimento, guia, sarjeta e calçada com adoção de um novo projeto geométrico", diz a SP Obras. Nas outras ruas, redes de água e esgoto estão sendo substituídas e a fiação está sendo enterrada.

Para os moradores, o trânsito aparece como maior problema. "Agora que liberaram a Pais Leme, está um pouco melhor. Mas era um caos", relata a bióloga Sílvia Barreto, de 42 anos. Segundo moradores, a terceira e a quarta faixas da via foram liberadas ao tráfego no fim de semana da eleição e, na semana seguinte, fecharam de novo. A SPObras informou que "em nenhum momento" trechos foram totalmente liberados e depois fechados.

Histórico. As ruas do entorno do Largo da Batata sofrem com interdições consecutivas desde 2005, quando começou a construção da Estação Faria Lima da Linha 4-Amarela do Metrô pelo governo do Estado. O terminal ficou pronto em 2010 e, depois disso, tiveram início demolições de prédios antigos e obras de requalificação da Prefeitura.

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