Obra no Arquivo do Estado tem acidentes

Coordenador diz que queda de funcionário do 4º andar foi 'azar' e considera queixas de funcionários irrelevantes

EDISON VEIGA , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

12 Março 2012 | 03h01

As preocupações dos funcionários do Arquivo Público do Estado de São Paulo com relação à reforma e à ampliação de sua sede, em Santana (zona norte), não são somente com relação à integridade do acervo. No dia 14 de janeiro, um funcionário contratado como operário da obra despencou no fosso de um elevador do quarto andar de um prédio com pé-direito duplo - ou seja: o equivalente ao oitavo andar de um edifício convencional. Ele carregava um grande volume de documentação histórica.

"Apesar de ser um operador de grua, sem preparo técnico para manusear o material do acervo, ele tinha sido deslocado, a pedido da administração do Arquivo, para ajudar na transferência do acervo para o novo prédio", relata um funcionário, que pede para não ser identificado. De acordo com os servidores, não foi registrado boletim de ocorrência e o operário ainda está internado, com graves lesões.

"Foi um azar. Infelizmente, acidentes acontecem em obras", diz o coordenador do Arquivo, Carlos Bacellar. "Ele não estava deslocado da função, apenas nos ajudava a transferir o acervo."

Conforme o Estado revelou ontem, as obras do Arquivo Público, iniciadas em novembro de 2009 ao custo de R$ 84,7 milhões, estariam causando danos ao patrimônio arquivístico estadual, com pelo menos dois focos de incêndio, falta de cuidado no manuseio de material histórico e perda de exemplares antigos do Diário Oficial do Estado e de cadastros do Memorial do Imigrante, cujo acervo está sob guarda temporária da instituição.

O descontentamento de parte dos funcionários do órgão estadual foi exposto em carta enviada à diretoria da instituição em 2 de fevereiro deste ano. "O pior caso localiza-se no quarto andar", relata o documento. "O estado do acervo é tão preocupante, debaixo de lonas, sob umidade das chuvas, ameaça de animais e de fungos ativos, que mereceria uma intervenção à parte urgentemente."

"Isso é bobagem absoluta. Eles estão fazendo tempestade em cima de algo que não têm importância, tratando pequenos incidentes como se fossem relevantes", defende-se Bacellar.

Atraso. Anteontem, o Arquivo Público comemorou 120 anos de fundação sem que a atual obra, cujo cronograma está atrasado em pelo menos sete meses, tivesse sido concluída. "Perdemos uns três meses por causa de chuvas", calcula Bacellar. "E no início da obra atrasamos quatro meses só para retirar as esculturas (que ficavam em um espaço aberto logo na entrada do prédio) e para achar quem poderia receber um 'abacaxi' daqueles." As obras foram transferidas para o Parque Ecológico do Tietê.

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