Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Obra irregular de loja popular desaba, mata 8 e deixa 26 feridos na zona leste

Ao menos 35 pessoas trabalhavam quando a construção de unidade da Torra Torra desmoronou

Artur Rodrigues, Luciano Bottini Filho, Mônica Reolom - O Estado de S.Paulo,

27 de agosto de 2013 | 23h13

SÃO PAULO - Um prédio em obras desabou na manhã desta terça-feira, 27, em São Mateus, zona leste de São Paulo, matando ao menos 8 pessoas e deixando outras 26 feridas. Segundo a Prefeitura, a construção estava irregular e já havia sido embargada.

O desabamento aconteceu por volta de 8h30, na Avenida Mateo Bei, quando ao menos 35 pessoas trabalhavam no local. "O que vimos aqui é uma edificação com dois pavimentos, o térreo e o primeiro andar, em que houve uma ruptura da área que suportava isso, e as duas lajes praticamente se encontraram", explicou o coronel Reginaldo Repulho, do Corpo de Bombeiros. As causas do desabamento devem ser apuradas pela Polícia Científica.

A defesa do dono do imóvel, Mustafá Ali Mustafá, e o Magazine Torra Torra, que alugou o espaço, trocam acusações sobre a responsabilidade pelo caso.

Do lado de fora, vizinhos relatam ter ouvido o barulho similar a uma batida de carro. Imagens de uma câmera de monitoramento mostram a poeira invadindo a Mateo Bei. Pelo menos cinco veículos que estavam perto dali foram atingidos pelos destroços. Dentro do imóvel, os funcionários da empresa Salvatta, contratada pela Torra Torra, preparavam-se para tomar café.

"Eu simplesmente corri e gritei pelos meus amigos. Infelizmente, não deu tempo de eles fugirem", disse Beto Lopes, de 37 anos, que trabalhava havia 15 dias na obra. Ele relata que não ouviu nenhum barulho.

Um dos feridos, o eletricista Silvio Rogério Rodrigues, de 28 anos, disse a parentes que havia algo errado na obra, segundo seu irmão de criação, o segurança Josinaldo dos Santos, de 24 anos. "Ele costumava comentar que a laje estava malfeita", disse Santos. Rodrigues está internado no Hospital Santa Marcelina, na zona leste.

As vítimas foram sendo resgatadas gradualmente ao longo da manhã. Duas pessoas ficaram debaixo dos escombros por quase cinco horas, até serem resgatadas pelos bombeiros, depois das 13h. Por meio de duas aberturas, elas davam coordenadas para o socorro.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência socorreu 17 pessoas com ferimentos leves, escoriações e casos de média complexidade.

Segundo os bombeiros, pelo menos sete pessoas foram internadas em estado grave em hospitais da zona leste. Halisson Teixeira da Silva, de 22 anos, teve a perna esquerda amputada. Médicos avaliavam, no início da noite desta terça-feira, a possibilidade de amputar a outra. Internado no Hospital Santa Marcelina, ele corria risco de morte. No mesmo hospital, Francisco Diego Borges Vasconcelos, de 29 anos, teve traumatismo craniano e estava em estado grave.

Soterrados. Oito corpos foram retirados dos escombros. Os trabalhos deveriam seguir pela madrugada. Os bombeiros trabalhavam com a estimativa de que houvesse ainda de um a três desaparecidos - a chance de se encontrar algum vivo era remota. A Defesa Civil informou que seis imóveis foram esvaziados nos arredores - 4 residenciais e 2 pontos comerciais. / COLABOROU BRUNO DEIRO

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