Obra foi liberada como 'ampliação de instituição religiosa'

Para prefeitura, local ainda pertence a grupo; secretaria afirma que zoneamento do morro permite hotel

O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2012 | 03h03

A prefeitura de Ubatuba informou que as obras no castelo foram liberadas como "ampliação de instituição religiosa". Para o governo municipal, a propriedade ainda pertence aos Arautos do Evangelho, apesar de uma placa nos portões indicar o nome do grupo americano Sunrise Homes International como novo dono. A Secretaria de Obras da cidade adiantou, porém, que a Lei de Zoneamento permite a transformação em hotel.

Um funcionário responsável pela obra no palácio disse ao Estado que em breve o grupo americano vai divulgar o que será feito no local. "As licenças nós já conseguimos na prefeitura." O grupo americano Sunrise Homes International e os Arautos do Evangelho foram procurados, mas não responderam.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que não precisou ser consultada para a construção do castelo porque o imóvel foi classificado na categoria "igreja". O órgão também ressalta que o terreno não é classificado como área de preservação permanente - apesar de estar em um topo de morro cercado por Mata Atlântica e de vizinhos terem relatado derrubada de mata nativa.

"Isso tudo era uma mata onde está o castelo. Agora não sei o que vai ser, não", conta o carteiro Silas Fileto, de 42 anos, que também é coordenador de uma associação de observadores de pássaros do litoral norte.

Para a coordenadora da Fundação SOS Mata Atlântica, Marilu Ribeiro, o dano causado à paisagem precisa ser revertido. "Foi usado um subterfúgio para construir sem licença. Quando o imóvel perdeu a função de igreja, a função social, deveria perder a licença", disse. "Os muros, que impedem o acesso das pessoas, deveriam ser retirados e substituídos por uma espécie de cortina verde, com vegetação."

Pescadores. Enquanto o castelo é convertido em hotel, os pescadores da Praia de Maranduba, do lado do empreendimento, esperam há três anos e meio licença do governo estadual para fazerem a dragagem do rio que dá acesso ao mar. Enquanto não conseguem, eles precisam puxar seus barcos nas partes rasas do manancial com a ajuda de âncoras ou mesmo no braço, com a água pelo peito. "Para nós, pescadores, as coisas são sempre mais difíceis", relata Maurício de Souza, o Azulão, de 61 anos. / D.Z.

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