Obra fica inacabada e público não tem onde sentar

Cadeiras não foram instaladas em nova frisa; quem pagou R$ 172 por lugar com vista privilegiada teve de ser transferido ontem para o último setor

RIO, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2012 | 03h01

Quem chegou ontem à noite às frisas do Setor Dois do sambódromo do Rio para ver as escolas do grupo de Acesso A não teve onde sentar. As cadeiras não haviam sido instaladas. O setor fica na área recém-construída pela prefeitura para aumentar a capacidade de público em 20% e finalizar o projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer (aos 104 anos, levado pela prefeitura, ele reinaugurou o sambódromo há uma semana).

O público, que pagou R$ 172 pelo lugar, privilegiado por estar no começo da avenida, foi remanejado para o Setor Onze. A revolta foi generalizada. Procurada pelo Estado, a Riotur não deu informações sobre o problema.

O representante comercial João Tostes, de 54 anos, que foi com a família, ficou indignado. "Chegamos ao Setor Dois, me pediram desculpas e disseram que não ficou pronto. Trouxeram a gente para o Setor Onze e acabou", disse Tostes, que frequenta a Sapucaí desde sua abertura, em 1984, e vai voltar hoje e amanhã, os dois dias de desfiles do Grupo Especial. "É uma falta de respeito. Nunca imaginei que não ficaria pronto. O prefeito falou que daria tempo."

O principal motivo de indignação de quem comprou para o dois e ficou no onze era a visibilidade que se tem das escolas - no dois, acompanha-se de perto o início dos desfiles; já o onze é o último setor. Outro inconveniente: a distância do metrô. No lado par, a Estação Praça Onze é próxima; no ímpar, é preciso andar até a Estação Central, mais distante.

Promessa. Na sexta-feira, dia da abertura do carnaval, com as escolas mirins, Antônio Pedro Figueira de Melo, presidente da Riotur, garantiu que tudo estaria finalizado hoje. "Hoje (sexta-feira) não é dia de frisa. Para amanhã (ontem) vai estar tudo pronto", disse, por volta das 18 horas.

Calmo e sorridente, ele comparou ainda a obra do sambódromo à preparação das escolas de samba para os desfiles. "Só termina quando começa o desfile."

Minutos antes de as escolas mirins entrarem na avenida, operários tentavam desembarcar na avenida cadeiras de frisas, que chegavam em caminhões. O trabalho teve de ser interrompido às 17 horas, quando um grupo de representantes de velhas guardas de várias escolas começaram a se apresentar, abrindo para as crianças. Em alguns setores, nem o ferro que demarca as frisas havia sido instalado; em outros, as cadeiras já estavam lá, mas empilhadas, para ainda ser instaladas. Ontem, o Setor Dez ainda tinha cadeiras empilhadas. / ROBERTA PENNAFORT

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