Obra em São Vicente acha ossadas indígenas de 400 anos

Descoberta foi feita em escavação ao lado da Igreja Matriz. Posição dos corpos indica que não eram colonizadores

Rejane Lima / SÃO VICENTE, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

Testes. DNA e carbono 14 vão confirmar etnia dos indivíduos      

 

 

 

 

 

São Vicente continua revelando detalhes da história 478 anos após a sua fundação. Desta vez, foram encontradas três ossadas humanas praticamente inteiras durante escavações para uma obra onde nasceu a primeira vila do Brasil. O mais surpreendente da descoberta é que embora os corpos estejam enterrados bem ao lado da Igreja Matriz - onde comumente eram enterrados os leigos cristãos -, provavelmente os corpos são de uma população pré-colonização, de índios tupis ou tupi-guaranis.

"Esses corpos são de 500 anos para trás. Mais recente não pode ser, pois há um tratamento diferencial no sepultamento de um cristão para um indígena", explicou o arqueólogo Manoel Mateus Gonzalez. "O corpo do cristão geralmente está estendido e no caso do indígena ele está na posição fetal." No entanto, só exames de DNA e carbono 14 vão determinar exatamente a etnia e a datação dos indivíduos. "Mas tem mais de 90% de chance de serem indígenas, pela curvatura dos pés."

A descoberta foi feita dois meses após o início da construção do Boulevard Ana Pimentel (mulher de Martim Afonso, fundador da cidade). Orçada em R$ 500 mil, a obra de drenagem e pavimentação de uma via ao lado da Matriz é monitorada desde o início pela equipe de Gonzalez. "Nessa escavação, para nossa surpresa encontramos esses esqueletos inteiros e começamos a encontrar vestígios de sambaquis, que seriam sítios pré-históricos de 3 mil anos atrás, e também algumas cerâmicas tupis." Já foram retiradas mais de 1,5 mil peças do local.

O prefeito de São Vicente, Tércio Garcia (PSB), explicou que a descoberta alterou o cronograma de entrega da obra, prevista inicialmente para ser concluída em maio.

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