OBRA EM PRAÇA IRRITA VIZINHOS DO PREFEITO

Espaço começou a ser utilizado como depósito para construções na Brigadeiro Faria Lima

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h05

Ao lado do prédio onde mora o prefeito Gilberto Kassab (PSD), no Jardim Paulistano, a Praça Yitzhak Rabin reunia crianças, idosos e gente com seus cachorros todo fim de tarde. Sem falar em um casal de gaviões e uma coruja que eram vistos por lá. Toda a aura bucólica, porém, acabou com chegada de tratores, material de construção e trabalhadores, em setembro, quando o espaço passou a ser usado como depósito para as obras de revitalização da Avenida Brigadeiro Faria Lima.

A relações-públicas Vivian Diamant, de 53 anos, conta que várias árvores que plantou foram destruídas. "Tem espécies centenárias sendo afetadas", diz ela, apontando plantas que tiveram as raízes cobertas de material de construção. Outra árvore teve as raízes prejudicadas por canos que estão sendo instalados no solo. Para dificultar ainda mais o acesso, um muro de madeira cerca o espaço, que agora fica fechado durante a noite.

Vivian afirma já ter recorrido a vários órgãos públicos em busca de ajuda, da Subprefeitura de Pinheiros à Ouvidoria da Prefeitura, sem sucesso. "Tenho uma ligação sentimental muito forte com essa praça e não consigo mais dormir direito", afirma. Passeando pelo local, ela conta que vários itens novos, instalados em uma reforma em 2010, foram afetados, como piso, bancos e uma mureta.

A professora Daniella Samad, de 38 anos, conta que presenciou quando as máquinas chegaram, em 23 de setembro de 2011. Depois disso, ficou sem lugar para levar o cão para passear. "O Metrô não ocupou nenhuma pracinha para fazer obras. Por que fazer isso com a praça da Faria Lima?", questionou.

A vizinhança da praça afirma que a barulheira dos caminhões e tratores se arrasta 24 horas por dia, afastando os pássaros que vivem no espaço. A Secretaria das Subprefeituras, em nota oficial, afirmou que devolverá a praça repaginada com a conclusão das obras na Faria Lima, previstas para o fim de julho. "No projeto está prevista troca da grama, do paisagismo, instalação de tanque de areia, bancos e mesas, nova iluminação e plantio de espécies arbóreas condizentes com o local", informa o comunicado.

Na sexta-feira, moradores se reuniram com os funcionários da Subprefeitura de Pinheiros, que prometeram retirar as máquinas e o canteiro de obras do local em 15 dias. No entanto, um escritório de apoio usado nos trabalhos continuaria no local. Os moradores temem que o estrago seja irreparável. "Mudinhas fora de época não vão substituir uma árvore de 40, 50 anos", diz a produtora cultural Perla Nahum.

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